quarta-feira, 22 de julho de 2026
Fantástico revela esquema de policiais civis da Paraíba acusados de tráfico, proteção a criminosos e vazamento de operações
07/06/2026 22:43
Redação ON Reprodução

A Paraíba voltou a ocupar espaço de destaque nacional no Fantástico pelo terceiro domingo consecutivo. Depois da reportagem sobre a infiltração do crime organizado em Cabedelo e da investigação envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas, a revista eletrônica da TV Globo exibiu neste domingo uma denúncia que atinge diretamente a estrutura da segurança pública do estado.

A reportagem revelou uma investigação que aponta a atuação de policiais civis paraibanos em atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas, proteção a foragidos da Justiça e repasse de informações sigilosas sobre operações policiais.

O caso levou à prisão de um delegado e de dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba.

O principal personagem da reportagem é o investigador Everton Aires, conhecido como “Pomba”, policial com mais de 20 anos de atuação na corporação. Além do trabalho como agente de segurança, ele também participava de podcasts e produzia conteúdo voltado para temas policiais.

Segundo a investigação apresentada pelo Fantástico, Everton Aires seria uma das lideranças do grupo criminoso. Áudios e vídeos obtidos durante as apurações mostram o policial falando sobre tráfico de drogas com naturalidade e tratando a atividade como um negócio.

Em um dos trechos exibidos, ele afirma que era quem mais vendia drogas na região. Em outro momento, explica estratégias para reduzir os riscos da atividade criminosa.

A investigação aponta ainda que, nos últimos cinco anos, mais de R$ 4 milhões passaram pelas contas do policial, valor considerado incompatível com sua remuneração como investigador, estimada em cerca de R$ 8,5 mil mensais.

De acordo com o material apresentado pelo programa, parte das drogas comercializadas teria origem em apreensões realizadas pela própria Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), unidade onde Everton Aires trabalhou durante vários anos.

A reportagem também mostrou que os policiais investigados mantinham relações próximas com integrantes de organizações criminosas e repassavam informações privilegiadas para evitar prisões e operações.

Entre os beneficiados estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, apontado pelas investigações como integrante de um grupo especializado em ataques a bancos e carros-fortes no Nordeste, modalidade criminosa conhecida como Novo Cangaço.

Segundo os investigadores, além de atuar nesses crimes, Júnior Lira também teria investido recursos obtidos ilegalmente no tráfico de drogas, contando com apoio e proteção do esquema revelado pelo Fantástico.

A denúncia reforça a gravidade das suspeitas levantadas pelas autoridades, que classificam o caso como um exemplo de infiltração do crime organizado dentro do próprio sistema de segurança pública.

Com a repercussão nacional da reportagem, o caso passa a figurar entre os mais graves escândalos recentes envolvendo agentes da segurança pública na Paraíba

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