João Pessoa, quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Estudo projeta crescimento médio de 1,7% para o Brasil até 2028, em cenário de desequilíbrio persistente na economia global
04/11/2026 09:30
Redação ON Reprodução

A economia global deve continuar crescendo nos próximos anos, mas em um ambiente de volatilidade recorrente e diferenças cada vez maiores entre países, setores e empresas. É o que aponta a atualização do Global Economic Outlook 2026–2028, estudo da Kearney que identifica o desequilíbrio persistente como uma das principais características do cenário econômico atual. Para o Brasil, a consultoria projeta crescimento médio anual de 1,7% entre 2026 e 2028, com a produção doméstica de petróleo, a geração de energia renovável e a infraestrutura de biocombustíveis contribuindo para amortecer os impactos da crise energética internacional.

Apesar dessa capacidade de absorver choques externos, o país enfrenta limitações. A inflação elevada e a política monetária restritiva continuam pesando sobre a atividade econômica. A projeção de crescimento brasileira foi revisada para baixo em 0,2 ponto percentual em relação à estimativa anterior da Kearney.

O estudo mostra que essa combinação de resiliência e vulnerabilidade se repete em diferentes economias. No cenário global, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve alcançar 2,6% em 2026, avançar para 2,9% em 2027 e chegar a 3% em 2028. Ao mesmo tempo, a inflação mundial deve atingir 4,5% em 2026 e registrar média de 3,8% até 2028, acima dos níveis observados antes da pandemia.

A análise destaca que a manutenção do crescimento agregado não significa uma volta à normalidade. Conflitos geopolíticos, restrições em rotas estratégicas de comércio, eventos climáticos extremos e a rápida expansão da inteligência artificial estão alterando custos, cadeias de suprimentos e fluxos de investimento. O resultado é um ambiente em que as condições para crescer se tornam mais desiguais e as empresas precisam lidar com mudanças recorrentes nas premissas de seus negócios.

Energia, inteligência artificial e geopolítica redefinem as perspectivas de crescimento

Entre os principais fatores que influenciam o cenário econômico está a competição geoeconômica, que passou a exercer papel central na definição das perspectivas de curto prazo. A instabilidade no Oriente Médio e as restrições à circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz evidenciam como a dependência de rotas, fornecedores e mercados específicos pode elevar custos, pressionar a inflação e comprometer o planejamento empresarial.

Ao mesmo tempo, a busca por segurança energética e resiliência das cadeias de suprimentos impulsiona investimentos em fontes alternativas de energia, redes elétricas, armazenamento, infraestrutura e eletrificação. Segundo o estudo, os investimentos globais em energia podem alcançar US$ 3,4 trilhões em 2026, alta de 5% em relação ao ano anterior.

A inteligência artificial também permanece como um dos principais motores de expansão econômica, especialmente por meio dos investimentos em semicondutores, data centers, conectividade e infraestrutura energética. No entanto, a Kearney ressalta que esse crescimento traz novos gargalos relacionados à disponibilidade de energia, água, terrenos, licenças e financiamento. A captura dos benefícios da tecnologia depende, portanto, da capacidade de transformar investimentos em ganhos efetivos de produtividade e resultados econômicos.

As mudanças climáticas e o endividamento público ampliam essas pressões. Eventos extremos afetam transportes, produção, seguros e produtividade do trabalho, enquanto o espaço fiscal mais limitado reduz a capacidade dos governos de absorver novos choques.

Crescimento desigual entre regiões e setores

A distribuição geográfica do crescimento reforça esse quadro. A Ásia e a Australásia devem registrar expansão média anual de 4% entre 2026 e 2028, mantendo-se como a região de crescimento mais acelerado, impulsionada principalmente pela demanda relacionada à inteligência artificial e aos semicondutores. A Índia se destaca entre as grandes economias, enquanto a China combina capacidade industrial, reservas energéticas e investimentos em tecnologias limpas para enfrentar as turbulências internacionais.

Nas Américas, a previsão é de crescimento de 2% em 2026, com recuperação gradual até 2028. A Europa e a Eurásia devem apresentar expansão média de 1,5% no período, pressionadas pelo custo da energia e pela fraqueza da demanda interna.

As diferenças também aparecem entre setores. Tecnologia, componentes eletrônicos, equipamentos de telecomunicações, geração e distribuição de energia e indústria aeroespacial estão entre as atividades beneficiadas pela ampliação dos investimentos em capacidades estratégicas. Em contrapartida, segmentos intensivos em energia e hidrocarbonetos, como produtos químicos básicos, fertilizantes e derivados de petróleo, enfrentam maiores restrições de oferta e pressão sobre os custos.

A Kearney também identifica diferenças significativas dentro de cada setor. Empresas expostas às mesmas condições de mercado podem apresentar desempenhos distintos de acordo com sua estrutura de custos, acesso a recursos, diversificação de fornecedores e capacidade de adaptar suas operações.

Flexibilidade passa a ser elemento central da estratégia empresarial

Diante desse cenário, o estudo recomenda que as empresas deixem de basear suas estratégias na expectativa de retorno a condições econômicas estáveis. A prioridade passa a ser a construção de modelos de negócio capazes de operar em diferentes cenários, com flexibilidade para redirecionar investimentos, ajustar capacidade e rever decisões diante de mudanças geopolíticas, tecnológicas e climáticas.

A Kearney destaca três questões para orientar decisões relevantes de investimento. A primeira é se a iniciativa reduz a dependência de um único fornecedor, mercado, rota ou sistema. A segunda é se produz ganhos mensuráveis de produtividade ou receita, em vez de apenas duplicar estruturas existentes. A terceira é se permite mudar de direção caso as premissas econômicas e operacionais se alterem.

A conclusão do estudo é que a resiliência precisa ser tratada tanto como proteção contra interrupções quanto como uma capacidade para identificar oportunidades de crescimento. Em um ambiente de desequilíbrio persistente, a vantagem competitiva dependerá da habilidade de combinar disciplina financeira, flexibilidade operacional e investimentos direcionados a mercados e atividades com perspectivas mais consistentes de demanda.

Veja o estudo completo aqui.


Sobre a Kearney

Há 100 anos, a Kearney é uma das principais empresas de consultoria de gestão e uma parceira de confiança de três quartos das empresas da Fortune Global 500 e de governos em todo o mundo. Presente em mais de 40 países, sua equipe é parte fundamental de sua identidade. A empresa trabalha com foco em impacto, enfrentando os desafios mais complexos de seus clientes com pensamento original e compromisso em fazer a mudança acontecer em conjunto. Ao lado de seus clientes, a Kearney entrega valor, resultados e impacto. Para saber mais, acesse www.kearney.com.

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