As manifestações públicas do deputado estadual Hervázio Bezerra e do vereador Odon Bezerra, nesta terça-feira (13), acrescentaram um componente familiar ao debate sobre os rumos do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSDB). Enquanto o prefeito mantém em aberto a continuidade do apoio a Lula no segundo turno e segue politicamente ligado ao ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), seu pai e seu tio trouxeram a público avaliações que podem ser lidas como conselhos, mas também como cobranças por uma postura mais autônoma.
Odon foi o mais direto. Em entrevista ao programa Boa Tarde Paraíba, em parceria com o Portal PontoPB, o tio do prefeito defendeu uma identidade própria para a administração. “A identidade que está posta é a de Léo. Nós precisamos preservar a amizade que ele tenha com Cícero, isso é inalienável”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Nós precisamos dar um oxigênio na Prefeitura Municipal de João Pessoa”. O vereador ressalvou, porém, que eventuais mudanças na equipe cabem exclusivamente ao prefeito.
Hervázio, por sua vez, expôs o desgaste provocado pelas incertezas jurídicas em torno da candidatura de Cícero ao governo. Ao programa Correio Debate, da Rádio Correio 98 FM, o pai de Léo atribuiu parte das dificuldades eleitorais do MDB à situação enfrentada pelo ex-prefeito. “Isso nos puxou para baixo”, declarou. Ao descrever o efeito sobre os aliados, foi além: “Isso contaminou todos nós, eu mesmo perdi, perdi o élan, perdi o gosto, perdi a motivação”.
As declarações tratam de assuntos distintos e não contêm uma orientação explícita sobre o voto de Léo para presidente. Juntas, entretanto, sugerem uma mudança de tom na família Bezerra: o pai faz um balanço crítico dos efeitos da candidatura de Cícero, enquanto o tio defende renovação e uma marca própria na Prefeitura. Num momento de hesitação do prefeito, essas vozes familiares ganham peso político. Podem ser recebidas como bons conselhos de quem tem experiência e proximidade, mas também interpretadas como uma tentativa pública de influenciar seus próximos passos. A decisão continua sendo de Léo; a cobrança por autonomia, agora, vem de dentro de casa.