O último bloco de confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrou os momentos de maior bate-boca do debate da Globo. Apesar dos ataques e das cobranças recíprocas, os dois recorreram à mesma estratégia diante das perguntas mais inconvenientes: desviaram do assunto e usaram o tempo para atacar o adversário.
A discussão sobre a abertura dos sigilos, que mobilizou as campanhas e alimentou a polêmica durante a semana, quase ficou de fora. Lula só levantou o tema quando restava cerca de um minuto de seu tempo. Na reta final, tentou recolocar a questão no centro do confronto e lançou um novo desafio: que os dois fossem neste sábado aos respectivos bancos para abrir os dados de suas contas.
Flávio não respondeu diretamente ao convite. Em vez disso, afirmou que Lula havia sido condenado por ocultação de patrimônio e alegou que os bens do presidente estariam ocultos, usando essa acusação para contestar a validade do desafio. A troca terminou sem um compromisso dos dois sobre a proposta apresentada no palco.
Lula associa voto à defesa da democracia
Nas considerações finais, Lula agradeceu a paciência dos brasileiros e pediu desculpas por coisas que o público ouviu durante o debate. Também retomou a discussão sobre o cartão corporativo, afirmando que o governo Bolsonaro gastou quase 30% a mais do que sua gestão, e pediu que os eleitores pesquisassem a comparação.
O presidente resgatou sua trajetória como vendedor ambulante, engraxate e torneiro mecânico antes de chegar à Presidência. No pedido de voto, elevou o tom contra o adversário: “Ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando esse país dentro do Palácio do Planalto”. Em seguida, acrescentou: “Não faça essa experiência”.
Flávio promete dinheiro no bolso e segurança
Flávio encerrou com agradecimentos a Deus, aos apoiadores e às pessoas que enviaram abraços a Jair Bolsonaro, a quem chamou de “injustiçado”. Apresentou três compromissos: não prometer o que não puder cumprir, recuperar o poder de compra dos brasileiros e lutar pela liberdade, pela soberania e pela segurança nas ruas.
O senador pediu que os eleitores refletissem sobre os últimos quatro anos, afirmando que a população está mais endividada e com mais medo da violência. Ao solicitar o voto, citou o futuro das famílias e das crianças e concluiu com um apelo religioso: pediu que o público rezasse um Pai-Nosso para que a nação fosse tocada por Deus e tomasse “a decisão correta”.