João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Enquanto o mundo desaba com Trump, governo corre contra o tempo para resolver impasse do IOF
10/07/2025 13:25
Redação ON Reprodução

Em meio à crise comercial com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o governo Lula tenta manter o foco em suas prioridades internas — e uma delas é o embate em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nesta quinta-feira (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), revelou em entrevista à Rádio Arapuan detalhes de uma conversa realizada no início da semana com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

Segundo Motta, o encontro, realizado na quarta-feira (9), teve clima “tranquilo” e foi marcado pela retomada do diálogo entre o Executivo e o Congresso, mas ainda sem solução definitiva para o impasse. “A conversa foi importante. O diálogo foi retomado com o governo para buscar uma saída desse imbróglio do IOF”, afirmou o deputado paraibano.

O impasse se agravou após o Congresso derrubar o decreto do governo que aumentava as alíquotas do IOF — medida que integrava o esforço do Ministério da Fazenda para aumentar a arrecadação e garantir o cumprimento das metas do arcabouço fiscal. A resposta veio com força: o presidente Lula acusou o Congresso de ceder à pressão de grupos econômicos e afirmou que não poderia abrir mão de recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

No último dia 4, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu os efeitos tanto do decreto presidencial quanto da decisão do Congresso, e convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes. O encontro está marcado para o próximo dia 15 de julho, às 15h, no Supremo Tribunal Federal, com a presença das presidências da República, da Câmara e do Senado, além da PGR, AGU e representantes das partes.

Hugo Motta já havia se manifestado sobre a decisão de Moraes, dizendo que ela está em “sintonia” com a maioria da Câmara. “A decisão do ministro evita o aumento do IOF, em sintonia com o desejo da maioria do plenário da Câmara dos Deputados e da sociedade”, publicou nas redes sociais.

Enquanto os olhos do país também se voltam para a tensão diplomática com os EUA, o Planalto corre contra o tempo para desatar o nó fiscal que se formou internamente. O resultado da audiência do dia 15 pode ser decisivo para os rumos do equilíbrio fiscal em 2025 — e para o clima político entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

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