Endrick salva o Brasil, mas Ancelotti chega à Copa com uma seleção ainda inacabada
06/06/2026 21:11
Redação ON Reprodução

Falta exatamente uma semana para a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo contra Marrocos, mas o amistoso deste sábado, diante do Egito, deixou uma sensação difícil de ignorar: o Brasil ainda está longe de ser um time pronto.

A vitória por 2 a 1 no Huntington Bank Field, em Cleveland, diante de 64 mil torcedores, foi importante pelo resultado, mas insuficiente para dissipar as dúvidas que cercam a equipe de Carlo Ancelotti.

E não se tratava de um adversário qualquer. O Egito ocupa a 29ª posição no ranking da FIFA, está no grupo da Bélgica, Irã e Nova Zelândia na Copa do Mundo e  recentemente teve um empate diante da Espanha. Foi um adversário competitivo, organizado e que conseguiu expor problemas que o Brasil vem repetindo jogo após jogo.

O principal deles continua sendo o sistema defensivo. Mais uma vez a Seleção sofreu gol. Já são cinco partidas consecutivas sendo vazada. Desta vez, o empate egípcio nasceu de uma falha inacreditável do capitão Marquinhos, que recuou mal uma bola e praticamente entregou a assistência para o atacante adversário marcar.

Em uma Copa do Mundo, erros desse tamanho costumam ser fatais. Mas os problemas não ficaram apenas atrás. No ataque, o Brasil voltou a desperdiçar oportunidades que simplesmente não podem ser desperdiçadas em um Mundial. Vinícius Júnior perdeu duas chances claras dentro da pequena área. Igor Thiago teve outra oportunidade semelhante e também não conseguiu concluir.

São lances que podem decidir uma classificação ou uma eliminação. Foi justamente nesse cenário que apareceu novamente o garoto que parece ter sido escalado para desafiar a lógica. Bastou Endrick entrar em campo no segundo tempo. Na primeira oportunidade que teve, marcou.

O atacante de apenas 19 anos voltou a demonstrar aquilo que diferencia os grandes artilheiros dos jogadores comuns: a capacidade de transformar chance em gol. Atacante de elite não desperdiça oportunidades em sequência. Atacante de elite resolve. E Endrick vem mostrando repetidamente que possui essa característica rara.

O segundo tempo trouxe algumas respostas positivas, mas não tanto como como havia acontecido contra o Panamá. As mudanças deixaram a equipe mais leve, mais rápida e mais intensa. No intervalo, o Brasil fez sete substituições, incluindo a entrada de Weverton no gol, e passou a criar mais.

Mas o Egito também mostrou sua força. Em vários momentos conseguiu empurrar a Seleção para trás e manteve pressão sobre a defesa brasileira. A entrada de Mohamed Salah, uma das grandes estrelas do futebol mundial, elevou ainda mais o grau de exigência dos defensores brasileiros.

E isso ajuda a explicar a preocupação que permanece. Ancelotti agora terá uma semana inteira para definir sua equipe ideal. O problema é que algumas peças nas quais ele apostava como pilares do projeto ainda não entregaram o que se esperava.

O caso mais evidente é Casemiro. O volante mostrou uma agressividade preocupante. Durante a semana já havia sido alvo de críticas por uma entrada dura em Endrick durante um treinamento. Contra o Egito voltou a exagerar em alguns carrinhos e divididas, correndo riscos desnecessários.

O técnico italiano chega à reta final de preparação com mais perguntas do que respostas. A boa notícia é que o Brasil venceu. A má notícia é que a sensação deixada pelo último amistoso antes da Copa é de que a Seleção continua em construção.

E Copa do Mundo não costuma esperar por obras inacabadas. Enquanto Ancelotti quebra a cabeça para encontrar a formação ideal, uma certeza parece surgir cada vez mais forte: se existe alguém pronto para brilhar no Mundial, esse alguém atende pelo nome de Endrick.

Choro e preocupação: Wesley saiu contundido no 1º tempo, e pode ser cortado até 24
horas antes da estreia do Brasil. Se a lesão for confirmada, Carlo Ancelotti tem duas opções na pré-lista de 55 nomes: Paulo Henrique, do Vasco, e Vitinho, do Botafogo

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