A vitória de Edvaldo Neto (Avante) já era praticamente irreversível quando a apuração alcançou 90% das urnas na eleição suplementar de Cabedelo. Com o resultado final proclamado pela Justiça Eleitoral, Edvaldo Neto obteve 16.180 votos, o equivalente a 61,21% dos votos válidos. O adversário, Wallber Virgolino (PL), somou 10.225 votos, correspondente a 38,79%.
Prefeito interino desde a cassação da chapa eleita em 2024, Edvaldo Neto (Avante) transforma agora a condição provisória em mandato efetivo. Ao lado do vice Evilásio Cavalcanti (Avante), ele assume a Prefeitura respaldado por uma vitória ampla e sem sobressaltos, em um pleito marcado mais pela confirmação do esperado do que por surpresas.
Mais de 53 mil eleitores estavam aptos a votar na eleição convocada após decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, que cassou os mandatos do então prefeito André Coutinho e da vice Camila Holanda. A Justiça entendeu que houve influência do crime organizado no processo eleitoral anterior, com a nomeação de pessoas ligadas ao tráfico para cargos públicos. O ex-prefeito Vitor Hugo também foi declarado inelegível.
Do outro lado da disputa, Walber Virgolino não conseguiu transformar sua candidatura em uma alternativa competitiva. A campanha do deputado estadual foi marcada por dificuldades de articulação política e, sobretudo, pela percepção de falta de apoio mais consistente da cúpula do PL. Esse distanciamento ficou evidente em episódios como a passagem do senador Flávio Bolsonaro pela Paraíba, quando o foco foi o lançamento da pré-candidatura de Efraim Filho e não houve menção relevante à disputa em Cabedelo — um sinal que gerou insatisfação entre aliados de Walber.
Sem conseguir ampliar sua base e diante de um adversário já instalado no poder, Walber viu a eleição caminhar rapidamente para um desfecho previsível. Edvaldo, por sua vez, soube capitalizar a visibilidade da gestão interina e consolidar uma vantagem que se manteve estável até o fim da apuração.
O resultado encerra mais um capítulo de instabilidade política no município e recoloca Cabedelo sob uma gestão legitimada pelo voto, após um processo eleitoral marcado por intervenções da Justiça e questionamentos sobre a lisura do pleito anterior.