quarta-feira, 22 de julho de 2026
É hoje! Muriçocas completa 40 anos espalhando alegria de Tambaú ao rio Sanhauá
11/02/2026 07:11
Redação ON Reprodução

“Espalhando alegria de Tambaú ao rio Sanhauá.” O verso, entoado há décadas pelos foliões, é trecho do Hino das Muriçocas, também conhecido como Zum-Zum-Zum, composição de Flávio Eduardo Maroja Ribeiro, o Mestre Fuba. A frase resume o tamanho simbólico do bloco que, nesta quarta-feira, completa 40 anos e volta a transformar João Pessoa em um grande corredor de carnaval, ocupando a Avenida Epitácio Pessoa até o Busto de Tamandaré.

O Muriçocas do Miramar – hoje reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial de João Pessoa e da Paraíba – não é apenas mais um desfile do Folia de Rua. É um acontecimento urbano que muda a rotina da cidade por algumas horas. A principal ligação entre o Centro e a orla vira passarela de foliões, as calçadas se transformam em pontos de encontro e a capital entra em modo de suspensão para acompanhar um dos maiores cortejos do seu carnaval.

Para celebrar as quatro décadas de história, o bloco chega com uma programação de peso. Estão confirmados Alceu Valença, Juzé, Fuba, Myra Maya, Mirandinha, Poliana Rezende, Kojak e Capilé. A concentração acontece entre as avenidas Tito Silva e Epitácio Pessoa, com o desfile seguindo até o Busto de Tamandaré, em Tambaú.

A edição deste ano também presta homenagem ao compositor Zé Katimba, autor de clássicos da música popular brasileira como Aquarela Brasileira, Martin Cererê e Cansado de Tanto Sofrer. A escolha reforça o diálogo do bloco com a tradição do samba e com a história da música que embala o carnaval.

A história do Muriçocas começou de forma despretensiosa, em 1986, a partir de uma reunião de moradores do Miramar durante o aniversário de Thiago Gualberto, filho do professor Antônio Gualberto e da professora, poeta e jornalista Vitória Lima. Em tom de brincadeira, Vitória escreveu um poema dizendo que “só tinham ficado as muriçocas” na cidade. A piada virou nome e, no ano seguinte, virou bloco oficialmente.

O primeiro desfile reuniu cerca de 30 pessoas, puxadas por uma carroça com tração animal e um pequeno equipamento de som tocando frevo. Quatro décadas depois, o que era improviso virou um dos maiores símbolos do carnaval de João Pessoa, reunindo uma multidão que transforma a Epitácio Pessoa em avenida de festa.

Hoje, ao tomar novamente as ruas, o Muriçocas não celebra apenas uma data redonda. Celebra a própria história de ter nascido pequeno, crescido junto com a cidade e se transformado em um dos momentos mais aguardados do calendário carnavalesco da capital.

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