A segunda-feira começa com duas revelações de alto impacto envolvendo o banco Master, cada uma atingindo um centro de poder distinto: o sistema financeiro público e o Judiciário. De um lado, a relação bilionária com o Banco de Brasília; do outro, um crescimento patrimonial que levanta questionamentos no entorno do Supremo Tribunal Federal.
BRB amplia exposição mesmo após suspeitas
Reportagem do portal Metrópoles revela que o Banco de Brasília movimentou cifras impressionantes ao adquirir R$ 30,4 bilhões em carteiras do banco Master desde julho de 2024. A operação não parou por aí. Houve ainda R$ 10,8 bilhões em substituições de ativos — um mecanismo em que carteiras problemáticas eram devolvidas e trocadas por novos papéis.
O ponto mais sensível, no entanto, aparece quando o próprio banco detecta indícios de fraude em parte dessas carteiras, já em março de 2025. Em vez de interromper a relação, o BRB amplia a exposição e compra mais R$ 20,7 bilhões em produtos do Master.
A partir desta semana, a série de reportagens promete avançar sobre a qualidade desses ativos, com a indicação de que eles também seriam de baixíssimo nível, ampliando o risco potencial para a instituição pública.

Patrimônio de Moraes entra no radar
Já o jornal O Estado de S. Paulo traz uma investigação que desloca o foco para o Supremo Tribunal Federal. Segundo a reportagem, o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa tiveram um crescimento de 266% no patrimônio imobiliário desde 2017, quando ele assumiu a cadeira na Corte. No centro da investigação, está o milionário contrato da mulher de Xandão com o banco de Daniel Vorcaro.
Hoje, o casal acumula 17 imóveis, avaliados em cerca de R$ 31,5 milhões. Apenas nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 23,4 milhões na compra de bens em Brasília e São Paulo, todos pagos à vista, conforme registros em cartório.
A reportagem destaca ainda que o ministro e sua esposa foram procurados para comentar os dados, mas não houve resposta até o momento da publicação.
Pressão simultânea em duas frentes
As duas reportagens, embora tratem de temas distintos, convergem em um ponto: colocam o banco Master no centro de uma tempestade que envolve dinheiro público, risco financeiro e questionamentos institucionais.
De um lado, o BRB passa a ser cobrado por decisões que ampliaram a exposição mesmo diante de alertas internos. De outro, o debate chega ao entorno do STF, ao tocar em evolução patrimonial de um de seus ministros.
São duas histórias que começam separadas, mas que têm potencial de gerar desdobramentos políticos, jurídicos e financeiros nos próximos dias.

