Com a proximidade do dia 5 de agosto, data em que João Pessoa celebra mais um aniversário de fundação, o portal O Norte Online intensifica a publicação de conteúdos especiais que resgatam a memória e a história da capital paraibana. Há duas semanas, uma matéria esclarecedora sobre a localização do Marco Zero da cidade despertou grande interesse dos leitores – e está no top-10 das mais lidas de junho. Agora, avançamos mais uma etapa nesse mergulho pelo passado e trazemos à tona um tema igualmente relevante: a possível existência do Forte do Varadouro, antiga estrutura de defesa às margens do rio Sanhauá.

A tese ganha força a partir da descoberta, em julho de 2000, de vestígios de uma muralha de pedra durante as obras de restauração no Largo de São Frei Pedro Gonçalves, no centro histórico. Segundo a historiadora Carla Mary da Silva Oliveira, trata-se de uma construção datada de 1625 a 1626, financiada pelo senhor de engenho Manoel Perez Correia, que teria, inclusive, custeado os soldos da guarnição ali instalada.

A existência da fortificação é confirmada por diversos mapas do período da ocupação holandesa, como os registros cartográficos “Frederyck Stadt” (ca. 1635-1640), de Johannes Vingboons, “Abbildung der Statt und Befestung Parayba in der Landschaft Brasilia” (1646), de autor anônimo, e “Frederica Civitas” (1647), que acompanha a obra “Rerum per octennium in Brasilia et alibi gestarum”, de Gaspar Barlaeus. A fortaleza também aparece na pintura “A Cidade e o Castelo de Frederick na Parahyba”, de Frans Post, encomendada por Maurício de Nassau em 1638.
De acordo com Carla Mary, os registros históricos e iconográficos permitem afirmar que a estrutura encontrada no Varadouro seria parte de uma fortificação estratégica, construída como linha final de defesa da cidade, protegendo o antigo atacadouro às margens do rio. A cidade de João Pessoa, então sob domínio espanhol durante a União Ibérica, foi planejada segundo as Leis das Índias, que proibiam a construção de cidades em áreas insalubres, como os manguezais que existiam ao longo do Sanhauá. Por isso, o centro urbano foi instalado no alto da colina, enquanto a área ribeirinha era ocupada por estruturas de defesa como o Forte do Varadouro.
A pesquisa está publicada na Revista do IESP (v. 2, n.1, 2001), no artigo “A questão da verdade na história e a muralha do Varadouro”.