João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Delação na CPI do INSS atinge Lulinha e ex-ministra de Bolsonaro
25/02/2026 07:11
Redação ON Reprodução

As negociações de delação premiada envolvendo dois ex-integrantes do alto escalão do INSS avançaram e passaram a atingir diretamente figuras ligadas aos dois polos centrais da política nacional. Os relatos feitos por Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador da autarquia, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios, citam tanto Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, quanto Flávia Péres (ex-Flávia Arruda), ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais no governo Jair Bolsonaro.

As informações foram reveladas pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles, que acompanha de perto os desdobramentos da Operação Sem Desconto, investigação da Polícia Federal sobre um esquema de descontos ilegais aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A apuração indica que os delatores detalharam a participação de empresários, operadores financeiros e políticos no funcionamento da engrenagem que desviava recursos por meio de entidades de fachada.

Flávia Péres, cujo nome aparece pela primeira vez associado ao caso, é casada com o economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, ambos citados nas apurações. A entrada do nome da ex-ministra no radar das investigações amplia o alcance político do escândalo, que já vinha provocando constrangimentos em diferentes esferas do poder.

Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis estão presos desde 13 de novembro, quando foram alvos da quarta fase da Operação Sem Desconto. Segundo a Polícia Federal, Virgílio teria recebido cerca de R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que aplicavam os descontos ilegais nos benefícios previdenciários. Parte expressiva desses valores, aproximadamente R$ 7,5 milhões, teria origem em empresas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os investigadores afirmam que repasses também teriam sido direcionados para contas e empresas em nome da esposa de Virgílio, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

No caso de André Fidelis, a apuração aponta o recebimento de cerca de R$ 3,4 milhões em propinas entre 2023 e 2024. O avanço das investigações atingiu ainda familiares dos envolvidos: Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso no desdobramento da operação.

Ainda segundo a coluna de Andreza Matais, o próprio Careca do INSS prepara uma proposta de delação premiada. A disposição do empresário em colaborar com as autoridades teria aumentado depois que familiares passaram a ser alvo direto da investigação, como o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos.

A defesa de Virgílio Oliveira Filho, por meio da advogada Izabella Borges, nega que exista delação formalizada até o momento. A reportagem tenta contato com a defesa de André Fidelis para obter posicionamento.

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