João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Dedo na cara e gritaria no plenário: o bate-boca que quase terminou em porrada no STF
15/09/2026 13:17
Redação ON Reprodução

O verniz de compostura e as vestes litúrgicas que costumam blindar o Supremo Tribunal Federal (STF) derreteram diante das câmeras nesta terça-feira. Marcada para começar impreterivelmente às 10 horas da manhã, a sessão extraordinária já deu seus primeiros sinais de crise antes mesmo do primeiro voto: com meia hora de atraso, os ministros ocuparam suas cadeiras sob um clima de pesada tensão nos bastidores, com trocas de olhares gélidos e cara fechada. O que se seguiu na primeira metade do dia foi um dos episódios mais degradantes da história recente da corte, com acusações abertas, dedos em riste e xingamentos cruzando o plenário.

A faísca começou quando Alexandre de Moraes provocou o plenário com uma pergunta direta:

“Quem tem medo da Polícia Federal?”

Atropelando o andamento, André Mendonça rebateu imediatamente:

“Não é questão de medo, não!”

Moraes cortou o colega, subindo a temperatura:

“Eu não perguntei a você!” E emendou a provocação citando delações e testemunhas: “Vamos chamar as pessoas então!”

Mendonça, visivelmente exaltado, cortou a fala do colega aos gritos:

“Isso é mentira! É mentira!”

Foi nesse instante que a briga tomou contornos de barraco generalizado com a entrada do decano Gilmar Mendes. Gilmar partiu para cima de Mendonça, acusando-o de atuar de forma “político-eleitoral” e contra o próprio tribunal.

A resposta de Mendonça veio em tom ríspido, com o corpo projetado para a frente:

“Vossa Excelência está sendo leviano! Leviano, ministro!”

Gilmar não recuou e devolveu na mesma moeda:

“Pessoas decentes não fazem isso!”

A frase foi o estopim. Mendonça levantou-se, estendeu a mão e apontou o dedo ostensivamente para o rosto de Gilmar Mendes no meio da bancada. O decano, sem sair da posição, rebateu aos gritos:

“Não aponte o dedo para mim! Não aponte o dedo para mim! Você não está falando com qualquer um!”

“Respeite esse Tribunal! Quem não se dá ao respeito não merece respeito!” — retrucou Mendonça, encarando Gilmar a poucos metros de distância, com a fisionomia fechada e punhos cerrados.

A essa altura, os microfones transmitiam apenas uma gritaria inaudível e cruzada, enquanto outros ministros se entrepunham na bancada e os seguranças do STF entravam em prontidão no Plenário para conter a escalada física que parecia inevitável. Diante do risco iminente de agressão corporal e da perda total de controle do plenário, a sessão foi interrompida de emergência para o horário do almoço.

Os ministros deixaram o plenário em silêncio, mas o intervalo não encerrou a crise. Com o reinício dos trabalhos previsto para daqui a pouco, no período da tarde, o clima nos corredores do STF é de incerteza e apreensão sobre como os magistrados retornarão às suas bancadas após o confronto verbal mais violento da história recente do tribunal.

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