O corpo da última vítima da queda do balão de ar quente em Praia Grande, no sul de Santa Catarina, foi localizado no fim da tarde deste sábado (21/6), a cerca de um quilômetro de distância do ponto onde o cesto caiu, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Com isso, chega a oito o número de mortos confirmados na tragédia, que também deixou 13 pessoas feridas.
De acordo com os bombeiros, a vítima foi encontrada em uma estrada de terra que cruza com a SC-108, a sudoeste do local da queda. A grande distância reforça a hipótese de que a pessoa tenha tentado escapar pulando do balão quando ele já estava em altura considerável. Com o corpo carbonizado e sem sinais vitais, ela foi removida pelo Instituto Médico Legal (IML), que também ficou responsável por recolher os demais corpos.
As primeiras quatro vítimas foram localizadas próximas ao cesto — três dentro dele e uma ao lado. Depois, com apoio de moradores da região, equipes encontraram outros corpos em pontos dispersos: um a 25 metros, outro a 70, um terceiro a cerca de 200 metros (no terreno de uma residência) e, por fim, o corpo mais distante, a cerca de 1 km.
Cenas de desespero
A tragédia ocorreu logo após a decolagem do balão, ainda nas primeiras horas da manhã de sábado. Segundo o piloto Elvis de Bem Crescêncio, que sobreviveu ao acidente, as chamas teriam começado em um dos maçaricos, provocando pânico entre os passageiros. Ele afirmou que, como o balão ainda estava próximo ao solo, orientou que todos pulassem.
Dos 21 ocupantes, 13 conseguiram se jogar do cesto antes que o balão ganhasse altitude. Os demais seguiram viagem involuntária, até que a estrutura pegasse fogo por completo e parte dos ocupantes tentasse escapar do alto, resultando em mortes por carbonização e por impacto.
Vítimas identificadas
As oito vítimas fatais já foram identificadas. Entre elas, estão mãe e filha, um casal que viajava com os filhos e profissionais da saúde e do esporte:
• Andrei Gabriel de Melo, médico oftalmologista de Fraiburgo
• Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha, casal de Joinville
• Fabio Luiz Izycki
• Juliane Jacinta Sawicki
• Leandro Luzzi, professor de patinação artística de Brusque
• Leane Elizabeth Herrmann e Leise Herrmann Parizotto, mãe e filha de Blumenau; Leise atuava como médica em um posto de saúde da cidade
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que entre as vítimas havia três pessoas encontradas abraçadas, em um dos momentos mais tocantes do resgate. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a origem do incêndio e eventuais responsabilidades.
Sobreviventes
Os feridos foram levados a hospitais da região e seguem em observação. São eles:
• Claudia Abreu
• Elvis de Bem Crescêncio (piloto)
• Fernando da Silva Veronezi
• Laís Campos Paes
• Leciane Herrmann Parizotto
• Leonardo Soares Rocha
• Luana da Rocha
• Marcel Cunha Batista
• Rodrigo de Abreu
• Sabrina Patrício de Souza
• Tassiane Francine Alvarenga
• Thayse Elaine Broedbeck Batista
• Victor Hugo Mondini Correa
Autoridades e empresa se pronunciam
O governador Jorginho Mello (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usaram as redes sociais para lamentar o ocorrido e prestar solidariedade às vítimas. Lula colocou o governo federal à disposição para auxiliar nas investigações e no suporte às famílias.
A empresa Sobrevoar, responsável pelo passeio, divulgou nota em que afirma seguir todas as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e que nunca havia registrado acidentes anteriores.
Investigação segue
A tragédia, que manchou de luto a “Capital dos Cânions”, teve repercussão nacional e internacional. As causas exatas do incêndio ainda são apuradas, mas a suspeita inicial recai sobre falha técnica em um dos equipamentos de aquecimento do balão. A Polícia Civil deve ouvir sobreviventes e representantes da empresa nos próximos dias.
Enquanto isso, familiares das vítimas iniciam o difícil processo de despedida, em meio a uma tragédia que jamais será esquecida.

