Uma reportagem de fôlego publicada pelo UOL nesta terça-feira (15) revelou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém em seu gabinete ao menos três funcionárias com rotinas totalmente incompatíveis com os cargos públicos que ocupam em Brasília. Entre elas estão uma fisioterapeuta com atuação em clínicas particulares, uma estudante de medicina em regime integral e uma assistente social da prefeitura de João Pessoa — todas contratadas como secretárias parlamentares, com salário, auxílios e carga horária de 40 horas semanais.
Após ser procurado pela reportagem, Motta determinou a demissão de duas das três servidoras, medida ainda não oficializada no boletim da Câmara até o fechamento da matéria. A seguir, conheça quem são essas funcionárias e o que diz a investigação.
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- Gabriela Pagidis – A fisioterapeuta das clínicas e da academia
Gabriela Pagidis atua como fisioterapeuta em Brasília, com atendimentos fixos às segundas e quartas-feiras em uma clínica particular, e às terças e quintas-feiras à tarde em outra unidade no Núcleo Bandeirante, a cerca de 18 km da Câmara dos Deputados. A informação foi confirmada pelos dois estabelecimentos, além de constar nos registros do Ministério da Saúde.
Apesar da rotina profissional intensa, Gabriela consta como secretária parlamentar do gabinete de Hugo Motta desde 2017. Ela é filha da ex-chefe de gabinete do deputado e recebe atualmente R$ 11,5 mil em salário bruto, mais R$ 1,8 mil de auxílio.
Nas redes sociais, ela chegou a postar uma foto com a camisa do Fluminense em ambiente de trabalho, na clínica, no dia 1º de julho, comemorando uma vitória do clube. Na mesma semana, foi vista em academia pela manhã e no zoológico de Brasília em horário de expediente. Questionada pelo UOL sobre sua função no gabinete, afirmou que “geralmente cuida da agenda, eventos” e que a atuação na fisioterapia seria apenas “esporádica” — mas encerrou a ligação ao ser pressionada e apagou suas redes sociais.
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- Louise Lacerda – A estudante de medicina em tempo integral
Filha do ex-vereador Marcílio Lacerda (Republicanos-PB), do município de Conceição (PB), Louise ingressou no gabinete de Motta em 2018, com salário de R$ 2,8 mil mais auxílio de R$ 1,8 mil. Desde então, conciliou o cargo com a graduação em medicina — curso integral e diurno na Faculdade Nova Esperança, em João Pessoa.
Louise chegou a passar por outra faculdade de medicina em Mossoró (RN), e até ingressou num curso de extensão adicional em João Pessoa. Ao longo desses anos, mesmo com as exigências da rotina universitária, continuou recebendo como funcionária da Câmara.
Com laços familiares estreitos com o Republicanos, ela também é sobrinha de Nilson de Lacerda, ex-prefeito de Conceição e suplente de deputado estadual. Procurada, ela desligou o telefone, não respondeu aos questionamentos e bloqueou a equipe de reportagem no WhatsApp.
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- Monique Magno – A assistente social com dois empregos públicos proibidos
Monique Magno, terceira funcionária mencionada na investigação do UOL, acumula funções incompatíveis com o regimento da Câmara. Ela atua como assistente social na Prefeitura de João Pessoa desde 2021, com salário de R$ 2 mil e carga horária de 30 horas semanais — além de estar lotada como secretária parlamentar no gabinete de Hugo Motta, com vencimentos que totalizam R$ 3,6 mil (salário mais auxílio).
De acordo com registros da prefeitura, o horário de trabalho de Monique é das 8h às 14h. Em 2021, chegou a constar com expediente das 10h às 17h. Ainda assim, ao ser contratada pela Câmara, declarou que não exercia função em outro órgão público, o que contraria as …

