João Pessoa, sábado, 7 de novembro de 2026
Como a evolução na corrida transforma as necessidades dos atletas
07/11/2026 09:30
Redação ON Reprodução

Correr por cerca de 30 minutos, três vezes por semana, pode ser um ponto de partida para quem deseja incorporar a modalidade à rotina. Com regularidade e objetivos compatíveis com o condicionamento físico, os primeiros treinos podem abrir caminho para novos desafios. E, para muitos corredores, cruzar a linha de chegada da primeira prova já desperta uma pergunta: qual será a próxima competição?

O interesse pela modalidade acompanha o crescimento do número de praticantes no Brasil. Segundo dados da Ticket Sports apresentados no TS Summit 2026, em setembro, o país reúne 14,6 milhões de corredores, um aumento superior a 60% em quatro anos. Desse total, cerca de 3,4 milhões participam de eventos esportivos, o que demonstra o potencial de crescimento das competições de corrida de rua.

Ao completar os primeiros quilômetros, surgem novas metas. Uma das características da corrida é permitir que cada pessoa encontre seus próprios objetivos. O que começa como um desafio individual pode ganhar espaço na rotina, influenciar hábitos e despertar o interesse por outras provas. Ter uma data no calendário também ajuda a organizar os treinos e manter o foco.

“A primeira prova costuma ser um marco importante, mas o que vem depois depende muito de cada pessoa. Tem quem queira correr distâncias maiores, quem busque melhorar o próprio tempo e quem simplesmente descubra o prazer de participar das competições. O interessante é perceber como esses objetivos vão mudando e mantendo as pessoas envolvidas com o esporte”, comenta Fred Fagundes, sócio-fundador da Woom, empresa brasileira especializada em vestuário técnico de alta performance para esportes de endurance, como corrida, ciclismo e triathlon.

Novos desafios, novas necessidades

Conforme a corrida ganha espaço na rotina, as necessidades dos atletas também podem mudar. Quem começa com provas de 5 km pode passar a treinar para distâncias maiores, enfrentar diferentes condições climáticas ou explorar modalidades como o trail running, realizado em trilhas e terrenos naturais. Cada cenário apresenta particularidades que influenciam a escolha de roupas e equipamentos.

Em treinos mais longos, por exemplo, o conforto durante períodos prolongados de atividade e o gerenciamento da umidade ganham importância. Já em percursos de trilha, fatores como variações de temperatura, exposição ao vento e liberdade de movimento podem orientar a escolha do vestuário. Mais do que buscar peças cada vez mais tecnológicas, o importante é identificar quais características atendem às necessidades de cada prática.

“À medida que o corredor experimenta novas distâncias e terrenos, ele começa a perceber diferenças que antes talvez passassem despercebidas. O ajuste da roupa, o comportamento do tecido durante o exercício e o conforto ao longo dos quilômetros passam a ter mais importância. Não significa que todo atleta precise do produto mais tecnológico, mas daquele que faz sentido para o tipo de treino e desafio que pretende enfrentar”, explica Fagundes.

Essa atenção às necessidades dos atletas faz parte da trajetória da Woom. Com origem no triathlon, a empresa desenvolveu conhecimento técnico aplicado a diferentes modalidades de endurance, incluindo a corrida. Atualmente, o segmento representa aproximadamente 30% do faturamento, sendo o segundo mais relevante para o negócio, atrás apenas do triathlon, com 40%.

A empresa reúne desenvolvimento e fabricação nacional de vestuário técnico, com participação de atletas na criação e avaliação das peças. Os produtos são desenvolvidos considerando características como ajuste ao corpo, gerenciamento térmico, funcionalidade e condições de uso em treinos e competições.

“Nosso trabalho começa pela compreensão de como o atleta utiliza cada peça. Uma roupa pensada para um treino curto em clima ameno pode ter exigências diferentes de outra destinada a uma prova longa ou a um percurso de trilha. É essa variedade de situações que orienta as decisões de desenvolvimento e a escolha dos materiais”, acrescenta Fred.

Mais do que uma prática esportiva, a corrida pode se tornar um estilo de vida em que cada competição alimenta a vontade de cruzar a próxima linha de chegada. Nesse percurso, conhecer as próprias necessidades também faz parte da preparação para novos desafios.

Corrida também movimenta o mercado esportivo

O crescimento da modalidade também se reflete na economia do setor. Segundo estimativas apresentadas pela Ticket Sports durante o TS Summit 2026, o mercado brasileiro de corridas de rua movimenta cerca de R$ 21 bilhões por ano, considerando segmentos como vestuário, inscrições e patrocínios. A plataforma também projetou aproximadamente R$ 1,3 bilhão em receitas com inscrições em eventos esportivos em 2026. O cenário evidencia oportunidades para empresas que atuam em diferentes etapas da prática esportiva, da preparação à participação em competições.

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