terça-feira, 4 de agosto de 2026
Comerciantes protestam, Prefeitura reage e impasse no Mercado Central continua
30/04/2026 15:17
Redação ON Reprodução

Mesmo após o impacto inicial do protesto que bloqueou vias e chamou atenção para o centro de João Pessoa, a crise envolvendo comerciantes do Mercado Central segue longe de uma solução — e ganha novos capítulos com o endurecimento do discurso da prefeitura e a promessa de negociação.

Na manhã desta quinta-feira (30), trabalhadores interditaram trechos da Rua Rodrigues de Carvalho, no cruzamento com a Avenida Pedro II, ateando fogo em pneus e montando barricadas. O ato foi uma resposta direta à notificação que determina a desocupação dos pontos comerciais em até 72 horas, área que será destinada à construção de uma garagem prevista no projeto de requalificação do mercado.

A mobilização provocou o bloqueio total do trânsito na região e exigiu a presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Mais do que um protesto pontual, o episódio expôs o clima de tensão entre os comerciantes e a gestão municipal.

Do lado da prefeitura, o tom foi de crítica à forma como o movimento foi conduzido. O secretário de Desenvolvimento e Urbanismo, Marmuthe Cavalcanti, classificou a manifestação como “precipitada” e “descabida”, apontando exagero na reação dos trabalhadores diante da notificação. Segundo ele, a retirada faz parte de um planejamento já estabelecido dentro das obras iniciadas após a ordem de serviço assinada em dezembro de 2025, que prevê investimento de R$ 31,9 milhões e conclusão até o fim de 2027.

Apesar da crítica, a gestão tenta reposicionar o debate para o campo da negociação. Uma reunião foi marcada para a próxima segunda-feira (4), às 10h, reunindo representantes de cerca de 30 comerciantes, além da empresa responsável pela obra, Sedurb e Seinfra. A promessa é apresentar alternativas de realocação temporária em mercados públicos, shoppings populares ou praças.

Entre os trabalhadores, porém, o sentimento é de insegurança. Muitos afirmam que a notificação foi feita sem a indicação prévia de um novo local para continuar as atividades. É o caso da comerciante Elisabeth Araújo, dona de um bar na área afetada, que relata dificuldades imediatas para manter o sustento da família diante do prazo curto.

O impasse, portanto, não se encerra com o protesto. Ao contrário, ele marca o início de uma fase mais sensível da reforma do Mercado Central, onde o desafio deixa de ser apenas estrutural e passa a ser social: conciliar a modernização do espaço com a sobrevivência de quem depende dele para trabalhar.

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