Antes mesmo de chegar ao calendário, 2026 já se apresenta como um ano carregado de tensão. Não apenas pelas eleições que se avizinham, mas pelo ambiente social exausto, pela radicalização permanente e pela dificuldade crescente de convivência entre visões diferentes. Foi diante desse cenário que o portal O Norte Online decidiu ouvir seus colunistas – e o que emergiu, de forma quase unânime, foi uma crítica direta à polarização política que tomou conta do país.
Há diferenças de estilo, de linguagem e de abordagem, mas o ponto de convergência é claro: o confronto permanente entre campos políticos transformou o debate público em arena, empobreceu a conversa e contaminou até os espaços mais íntimos da vida social. Em tom direto ou simbólico, em prosa ou poesia, os colunistas pedem freio, maturidade e algum grau de reconciliação.
Esse sentimento aparece de maneira especialmente forte na mensagem de Gonzaga Rodrigues, aos 92 anos, referência maior da crônica paraibana e um dos nomes mais respeitados do jornalismo brasileiro. Com a autoridade de quem atravessou décadas de transformações políticas e sociais, Gonzaga faz um apelo claro para que as famílias não se deixem dividir em campos inimigos e lembra que mandatos não são troféus, mas encargos. Sua fala carrega menos indignação e mais sabedoria – justamente por isso, talvez, soe ainda mais dura.
Na mesma linha crítica, Marcos Pires aponta o que chama de deformação de uma discussão ideológica que descambou para o ódio entre irmãos. Para ele, o país perdeu a capacidade de conviver com diferenças e precisa reaprender a ser cordial, sem confundir método com canalhice nem convicção com intolerância. No mesmo tom, Miguel Lucena implora que “a política reencontre a dignidade”; e Zé Euflávio ironiza que devemos “caminhar rápido para encontrar a utopia”.
A poesia também entra em cena como forma de resistência. Petrônio Souto, que costuma reclamar da sua própria limitação visual, surge com uma quadrinha curta e certeira. Se os olhos já não enxergam como antes, a leitura política segue afiada. Seus versos resumem o cansaço de uma sociedade saturada dos mesmos nomes e do mesmo embate estéril – sentimento compartilhado por muita gente que talvez não se reconheça em discursos inflamados, mas se vê refletida na ironia simples do poema.
Irapuan Sobral segue pelo caminho da ambiguidade. Sua quadrinha fala de errar de novo para tentar acertar, frase aberta a múltiplas leituras. Pode ser insistência, pode ser aprendizado, pode ser crítica velada à repetição de escolhas equivocadas. O mistério é parte da mensagem – e também do incômodo que ela provoca.
Em meio a esse ambiente de desgaste político, o futebol aparece como metáfora e como esperança. Para Marcondes Brito, há inúmeros temas relevantes para 2026, mas apenas um parece capaz de suspender, ainda que por um instante, a guerra simbólica que divide o país. O sonho do Hexa surge como possibilidade quase utópica de união nacional, capaz de fazer brasileiros vestirem, ao mesmo tempo, a mesma camisa amarela – algo hoje impensável, mas que o futebol, vez ou outra, insiste em tornar possível.
Outros colunistas ampliam o olhar para diferentes frentes: o futebol feminino e sua luta por respeito, o Campeonato Paraibano como espaço de identidade regional, o cenário geopolítico internacional marcado por disputas duras, a transformação do setor automotivo, o desejo de menos gritaria e mais escuta, de mais ética e menos encenação, de poesia como antídoto contra a estupidez organizada.
O conjunto das opiniões não oferece respostas prontas nem aponta um caminho único para 2026. Ao contrário. Revela um time plural, inquieto e, sobretudo, cansado da lógica do nós contra eles. O que une esses textos não é uma bandeira partidária, mas a recusa coletiva da polarização como destino inevitável.
A seguir, em ordem alfabética, o leitor confere a íntegra das opiniões dos colunistas, publicadas integralmente, como um retrato honesto das inquietações, esperanças e alertas que já cercam o ano que se aproxima.
O nosso time de colunistas

“Eu gosto de sonhar quando espero um novo ano surgir….. se meus sonhos se materializarem que maravilha será! O Mundo seria um só – não haveria fome; solidão e nem guerra. Viveríamos todos na mesma sintonia. São os meus mais intensos desejos para 2026!”, Astrid Bakke (coluna social).

“2026 será um ano de consolidação do maior projeto de turismo que a Paraíba vai vivenciar. O Polo Turístico do Cabo Branco, em João Pessoa, já é um divisor de águas para o segmento e trará milhares de empregos e renda, reposicionando a Capital paraibana entre os principais polos hoteleiros do Brasil. E para os pessimistas, que questionam a nossa infraestrutura, é preciso conhecer o projeto fora do Polo Turístico, onde se percebe, desde sempre, uma série de ações, com saneamento, eletrificação, instalação de antenas para internet, abertura de vias, entre outros pontos. É um avanço econômico jamais visto no Estado e, claro, o futuro já começou”, Fábio Cardoso (Turismo).

“Que em 2026 as famílias brasileiras não se dividam em campos inimigos por questões políticas. Que continuem sendo abrigo, memória, pão repartido. E que os políticos recordem que seus mandatos não são coroas, mas encargos; não são troféus, mas promessas vivas. Que compreendam que representam gente de carne e sonho”.
Gonzaga Rodrigues

“Que o futebol feminino conquiste, a cada dia, o respeito que já merece dentro dos clubes. Não existe justificativa para diferenciar profissionais por atuarem no feminino ou no masculino, Higor Bellini, coluna Futebol Feminino.

“No ano de 26,
vou insistir em mudar,
cometendo erros novos,
até um dia acertar”
Irapuan Sobral.

“No rastro da Luz Divina abundante durante o Natal, derramada sobre nós, é oportuno ressaltar que, em 2026, nosso desejo é que alumie os nossos passos e possamos ver, com os olhos do coração, coisas boas acontecendo”, José Nunes.

“O país deve atravessar um ano politicamente tenso, marcado por conflitos, disputas e incertezas. Tudo isso importa. Mas, quando tento ser honesto comigo mesmo, percebo que apenas um tema atravessa todos os ruídos e ainda consegue unir o país inteiro. Em 2026, minha perspectiva é simples e direta: que o HEXA venha. Talvez seja o único assunto capaz de fazer todos os brasileiros vestirem, ao mesmo tempo, a mesma camisa amarela”, Marcondes Brito.

“O Brasil não merece o que começou com uma discussão ideológica e transformou-se em ódio entre irmãos. Sempre fomos cordiais e mesmo sendo o país do jeitinho, conseguíamos ser felizes. O único caminho é aceitarmos os ensinamentos dos sacis, como explicarei na minha próxima coluna”, Marcos Pires.

“Para 2026, espero menos gritaria e mais escuta. Menos canalhice travestida de método e mais ética sem adjetivos. Que a política reencontre a dignidade, sem bajuladores de ocasião nem sapos de coroa achando-se príncipes. Que a justiça seja firme sem ser cega para a humanidade. Que o humor continue sendo antídoto contra a estupidez organizada. Que a palavra não seja arma, mas ponte. Que a poesia siga salvando o dia, o riso desarme o ódio e a crônica continue a cutucar consciências. Que a vida, cigana, siga em caravana — mas com mais luz que gelo ao sol”, Miguel Lucena.

“Apesar da falta de investimento e da força de grandes patrocinadores, a torcida alimenta a esperança de um Campeonato Paraibano cheio de emoções em 2026. Enquanto o Sousa tenta o tricampeonato, Botafogo, Treze e Campinense lutam para encerrar o jejum de títulos. A bola vai rolar a partir de 17 de janeiro e vamos torcer para que o melhor aconteça”, Pessoa Junior.

“De Lula e Bolsonaro
o papai já está cheio.
Que surja um nome raro
para o povo brasileiro”
Petrônio Souto, coluna Aperte o Play.

“O Botafogo-PB em 2026. O Belo é o Maior Campeão da Paraíba – 31 títulos – e é um dos raros Clubes do Brasil que NUNCA CAIU de Série. Em 2026 queremos mais um título de Campeão Paraibano. E que o sonho da Série B se concretize. Pra cima deles, Belo!”, Raimundo Nóbrega, coluna Memórias do Botafogo Paraibano

“Em 2026, as perspectivas para o cenário geopolítico internacional apontam para um ano de fragmentação contínua e competição estratégica acentuada, com as disputas entre Estados Unidos e China no centro do tabuleiro geoestratégico global. O “America First”, continuará a reconfigurar alianças tradicionais e a impor novas regras para os negócios internacioais, enquanto a China busca consolidar sua autossuficiência tecnológica e sua influência no Sul Global. Este ambiente será marcado pela persistência de riscos geopolíticos elevados, incluindo conflitos regionais e uma competição acirrada por recursos críticos e pela supremacia em inteligência artificial, testando a resiliência de governos e empresas em todo o mundo”, Renata Medeiros, coluna Gira Mundo.

“O setor automotivo deve aumentar em 2026 a revolução que já é grande no mercado nacional. A consolidação dos carros híbridos e o aumento de ofertas de elétricos pressionam a indústria tradicional, que prevê cada vez mais lançamentos de veículos a combustão, ainda os mais comuns. Bom para o consumidor, bom para o mercado. Mas também um maior pacote de dúvidas!”, Saulo Moreno (coluna de automóveis)

“Uma vez, durante uma palestra, um jovem perguntou a Eduardo Galeano para que serve a UTOPIA, e Galeano respondeu: “para a gente caminhar”. E eu digo: espero que em 2026 possa caminhar rápido para encontrar essa tal UTOPIA”, Zé Euflávio.

“Para 2026, nosso plano é simples: menos tabu, mais tesão, menos discurso e mais prática. Que o prazer entre na agenda, o sexo continue leve e ninguém finja que não gosta do que todo mundo gosta. Seguimos sem vergonha, porque com vergonha ninguém goza”, coluna Sem Vergonha, que trata de sexo com leveza e respeito.