As declarações de Romeu Zema contra férias obrigatórias e direitos trabalhistas, somadas aos ataques recorrentes de Renan Santos ao serviço público e aos concursos, revelam uma visão de país onde o trabalhador deve aceitar menos direitos e mais submissão.
A conversa vem embalada em linguagem moderna, discurso de eficiência e defesa do empreendedorismo. Mas, no fundo, a lógica é antiga: enfraquecer a proteção social para ampliar o poder econômico dos mais fortes.
Quando atacam férias, estabilidade e concursos públicos, não atingem “privilégios”. Atingem professores, enfermeiros, técnicos, policiais, atendentes e milhões de brasileiros que dependem do serviço público para viver com dignidade.
O concurso público continua sendo uma das poucas ferramentas reais de ascensão social do filho do pobre sem pistolão nem herança política.
Transformar direitos em obstáculos e servidores em inimigos é uma estratégia perigosa. Um Estado desmontado não prejudica milionário. Prejudica quem depende do SUS, da escola pública, da Justiça e da assistência social.
Por trás do discurso liberal agressivo, cresce um projeto de sociedade onde o mercado manda e o trabalhador apenas obedece.