João Pessoa, sábado, 17 de outubro de 2026
Urticárias
17/10/2026

*Por Sebastião Costa

Os vilões dos tempos chuvosos atendem pelo nome de ácaros e fungos. Correndo por fora no papel de coadjuvante, as mudanças bruscas de temperatura. E tome espirros, coriza, coceira, congestão nasal, sintomas característicos da rinite alérgica. A tosse com secreção, cansaço e chiado no peito vão incomodar os asmáticos que não cumpriram devidamente as recomendações do especialista.

Já nos tempos de verão saem a chuva e frio e entram na avenida o sol e o calor.

Espirros, tosse e cansaço dão lugar a muita coceira e placas vermelhas na pele. São as urticárias, que chegam com mais frequência no embalo dos frutos do mar, do suco de frutas cítricas, no aumento do consumo de leite com três proteínas de grande potencial alergênico (caseína, alfalactoalbumina, betalactoglobulina) e até o amendoim que gosta de produzir alergias com mais violência. E algumas pessoas, vejam vocês, tem alergia à luz do sol.

São três as características das urticárias: placas avermelhadas, prurido, fugacidade. A coceira (pode ser dor localizada),  às vezes, antecede a vermelhidão na pele e todos esses incômodos vão embora nas 24 horas.

Edema no lábio, pálpebras, orelhas é quando a reação ocorre em camadas mais profundas da pele e passa a se chamar angiodema. Aí, a regressão demora um pouco mais, sem no entanto ultrapassar as 48 horas.

Redobrada atenção quando a garganta começar a ficar irritada com sensação de querer fechar. Nesse caso, há o risco de um provável edema de glote e o mais sensato é procurar um serviço de Pronto Atendimento.

Se a urticária vai e volta durante seis semanas e não mais reaparece, ela é considerada aguda. Já a urticária crônica chega mais devagar e sem tempo pra ir embora.

Como importantes desencadeadores da urticária aguda, destaque especial para as infecções, os antibióticos – penicilinas à frente, e os anti-inflamatórios. Vale informar ainda que reações à dipirona (buscopan composto, novalgina, dorflex… ) costumam também produzir muitas visitas ao consultório. Importante lembrar que há uma estreita relação dos anti-inflamatórios com o AAS (doril, somalgin, sonrisal…) e até com a dipirona. Se houver reação a um, é prudente evitar o outro. Na verdade, até o ‘bem-comportado’ paracetamol ( tylenol ) tem incomodado muita gente com prurido, edema e placas avermelhadas na pele.

Com relação aos alimentos, é bom ficar de olho no leite, trigo e clara do ovo. Uma dica: urticária com angiodema é sempre recomendável investigar medicamentos.

A urticária crônica, conforme já referido, não existe previsão de quando acabar. Ela pode ser induzida – pelo sol, frio, agua (aquagênica) calor (colinérgica) ou espontânea, que é muito mais complicada, considerando que não tem como identificar uma causa básica. Aí bote tempo para tomar anti-histamínicos, medicamentos com grande poder de reduzir os incômodos das urticárias.

Muitas vezes a urticária chega uma, duas vezes, vai embora e não dá mais as caras. Mas se ela é recorrente, é importante uma visita ao especialista, que tem a seu dispor o teste alérgico cutâneo e o exame de sangue IgE, ferramentas que podem ajudar na identificação do agente alergênico, essencialmente nas urticárias agudas.

*Pneumologia/Alergologia

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