
Qual é a maior torcida do Brasil? A última pesquisa AtlasIntel responde: Flamengo, com 20,6% da preferência nacional, seguido por Corinthians (13,9%), São Paulo (10,1%) e Palmeiras (7,8%). Mas a ordem muda quando a paixão deixa o discurso e passa pela bilheteria e pela catraca dos estádios de futebol.
No meio da semana passada, por exemplo, Flamengo e Corinthians reafirmaram a força avassaladora de suas torcidas com marcas impressionantes. O Rubro-Negro levou 74 mil torcedores ao Maracanã para empurrar o time na Libertadores contra o Cruzeiro, enquanto o Timão colocou mais de 45 mil pagantes para bater o recorde de público da temporada na vitória sobre o Rosário Central, comprovando o poder de mobilização das duas maiores massas do país.
Já na média de público do Campeonato Brasileiro, até a 22ª rodada, apenas Flamengo e Corinthians repetem as posições do ranking nacional medido pelo Atlasintel. O time carioca lidera com 61.225 espectadores por partida. O Corinthians vem depois, com 36.642.
A partir daí, tradição e presença no estádio seguem caminhos diferentes. O Bahia, apenas o 13º colocado na AtlasIntel, com 2,4% da preferência, tem a terceira maior média de público: 34.885 torcedores. Um salto de dez posições.
O Cruzeiro também confirma sua capacidade de mobilização. Empatado com o Vasco como quinta maior torcida do país, com 6%, ocupa o quarto lugar nas arquibancadas, com média de 34.779 pessoas.
Os dois clubes mostram que o tamanho da torcida ajuda, mas a esperança também vende ingresso. Projetos de SAF, campanhas competitivas e perspectivas de crescimento devolveram entusiasmo aos seus torcedores.
O contraste mais forte é o do São Paulo. Dono da terceira maior torcida do Brasil, com 10,1%, o Tricolor aparece apenas na 12ª posição em média de público, com 22.996 espectadores. Fica atrás de clubes com torcidas nacionais muito menores e até de equipes da Série B.
O Remo, por exemplo, não aparece entre as grandes massas apontadas pela AtlasIntel, mas supera o São Paulo nas arquibancadas, com mais de 23 mil torcedores por jogo. O Coritiba também leva mais gente ao estádio.
Os rankings, portanto, medem fenômenos diferentes. A pesquisa revela um patrimônio construído durante décadas por títulos, ídolos, tradição e influência familiar. A catraca registra a temperatura do momento.
O São Paulo não perdeu milhões de torcedores por causa de uma fase ruim. Mas resultados negativos e falta de perspectivas reduziram a disposição de pagar para acompanhar o sofrimento de perto.

