
A campanha oscilante no Campeonato Brasileiro pode até sugerir fragilidade a uma leitura rápida das tabelas, mas a Libertadores obedece a outra ordem. Ao transformar seu estádio em um caldeirão para alcançar sua classificação diante do Rosário Central, o Corinthians mandou um recado direto: no mata-mata, a mística alvinegra ignora rótulos e volta a se colocar no caminho do Flamengo que busca o bicampeonato da América.
A noite em Itaquera teve todos os ingredientes de uma epopeia corinthiana. Diante de mais de 46,5 mil torcedores — estabelecendo o recorde de público do estádio na temporada de 2026 —, o time precisou lidar com o drama de perder o volante Raniele expulso no início do segundo tempo. Em vez de recuar sob a pressão do Rosario Central, o grupo fez da desvantagem numérica o combustível para inflamar as arquibancadas. A recompensa veio na bola parada de Memphis Depay cobrada para o desvio decisivo de Breno Bidon: 1 a 0, superação pura e vaga garantida.
O próximo obstáculo do Timão nas quartas de final será o tradicional Estudiantes de La Plata, mantendo o ambiente de mata-mata argentino. Enquanto isso, o Flamengo — que eliminou o Cruzeiro no Maracanã — aguarda o vencedor do duelo entre Independiente del Valle e Tolima para definir seu adversário. Se ambos avançarem, a semifinal reserva o reencontro de dois gigantes do futebol brasileiro.
Para quem aponta o elenco rubro-negro como franco favorito em qualquer cruzamento pelo peso financeiro de suas peças, a própria história recente serve de alerta. A última vez que as duas camisas se enfrentaram em uma disputa direta por taça foi nesta mesma temporada, na Supercopa Rei no Mané Garrincha, e o Corinthians saiu de Brasília com a vitória por 2 a 0. É a prova prática de que, quando o Corinthians consegue arrastar o jogo para o terreno do sofrimento e da raça, qualquer favoritismo de papelada simplesmente deixa de existir.
