Chovendo no Dia de São José (19 de março) é sinal de fartura no interior. Todos acreditam nisso. No meu Brejo é assim.
Quem planta milho nesta data, noite de São João pode preparar a fogueira para assar as espigas maduras ou aprontar as tigelas para cozinhar a canjica.
Os trovões que abalaram o céu naquela noite, de acordo com as experiências dos mais velhos, são prenúncios de que o inverno vai ser bom e de muita lavoura. Por sinal, amigos que têm vindo do meu Brejo nestes dias asseguram que a terra está molhada, e os agricultores plantam confiantes de que obterão uma boa safra, não sendo preciso recorrer aos baixios para plantar, porque o temporal umedece as bruguéias. Os betumes logo começaram a ser preparados. A confiança do homem da terra é de que, em 90 dias, o feijão macassar esteja maduro.
Quando os trovões apareciam naquele brejão de Serraria, fazendo estremecer as serras e balançando as folhas dos coqueiros, a gente aprontava o capote para andar no mato e os toros de bananeira para atravessar o rio. Era preciso estocar o capim elefante para o gado comer no curral, enquanto não pudesse ser levado para a capoeira. Chuva e trovões contínuos e muitos relâmpagos cortando as nuvens. A água caindo da biqueira, dentro da jarra, lembrava uma música melancólica. Lá embaixo, no riacho, na escuridão, os cururus entoavam uma cantiga triste, alongada.
Na sala iluminada por um candeeiro a querosene, sentado nos tamboretes, a gente ouvia as histórias de dona Mocinha, mãe de Zé Sena.
- Amanhã começo o plantio de maniva no Gavião. Aquela região é boa para mandioca – dizia meu pai.
O Gavião, a Cigarra, o Tambor, o Sítio Velho eram os nomes que meu pai dava para definir seus roçados
Tudo ele fazia na certeza de que, em três meses, estaríamos comendo feijão verde com um lombo de bode, galinha de capoeira ou curimată pescada no açude do tio Pedro Mendes.