João Pessoa, terça-feira, 20 de outubro de 2026
Senhor candidato a presidente (de clubes), e o futebol feminino?
20/10/2026

*Por Higor Maffei Bellini

Aproveitando as eleições presidenciais de clubes que acontecem neste ano, bem como as eleições para presidente da República, cujo segundo turno será realizado no próximo domingo, 25 de outubro de 2026, faço uma pergunta aos candidatos e candidatas que desejam comandar os clubes de futebol: como o senhor ou a senhora enxerga o futebol feminino dentro da instituição que pretende presidir?

O futebol feminino é visto apenas como uma obrigação pro forma, necessária para que a equipe masculina possa disputar determinadas competições? Ou é tratado como uma modalidade que chegou para ficar e construir sua própria história dentro do clube? Ou, ainda, é mantido apenas graças aos programas de incentivo ao futebol feminino, sem que exista um verdadeiro interesse institucional em seu desenvolvimento?

Essas perguntas precisam ser feitas agora, durante o processo eleitoral, e não apenas depois da posse.

Os sócios, torcedores e demais interessados no futuro do clube precisam conhecer as propostas dos candidatos para o departamento de futebol feminino. Afinal, o que acontecerá depois das eleições? E, principalmente, o que acontecerá depois da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil?

Essa última pergunta é fundamental. A realização de uma Copa do Mundo no país certamente será uma oportunidade de exposição para a modalidade. Mas o futebol feminino não pode depender eternamente do entusiasmo provocado pelos grandes eventos ou dos incentivos financeiros oferecidos por entidades esportivas.

É necessário planejamento de longo prazo.

O departamento de futebol feminino já faz parte da realidade e da história de muitos clubes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Por isso, precisa ter parâmetros claros de funcionamento, metas esportivas, orçamento definido e uma estrutura administrativa capaz de garantir sua continuidade, independentemente de quem esteja ocupando a presidência.

Não basta apresentar a equipe feminina como uma demonstração de modernidade ou compromisso com a igualdade. É preciso explicar como ela será administrada, quais investimentos serão realizados e qual será seu papel no planejamento estratégico da instituição.

Também é necessário discutir a formação de atletas, as condições de trabalho, a profissionalização das estruturas e a sustentabilidade financeira do departamento.

O futebol feminino não pode ser tratado como um projeto pessoal do presidente de ocasião, que começa ou termina conforme a vontade de quem assume o comando.

Quem deseja presidir um clube precisa compreender que está assumindo a responsabilidade por toda a instituição, e não apenas pelo futebol masculino profissional.

Por isso, senhor candidato ou senhora candidata, antes de pedir o voto dos associados, responda:

O futebol feminino faz parte do futuro que o senhor ou a senhora promete para o clube? Ou continuará sendo apenas uma obrigação a ser cumprida?

Porque o futebol feminino precisa de projetos institucionais, não apenas de promessas eleitorais.

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