Gente, vamos combinar: a vida não é um filme pornô. Nossos corpos não têm um botão de “liga” que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sob qualquer circunstância. E tudo bem.
Mas, de repente, você olha para o lado, vê a pessoa que ama (ou que acha muito gostosa), sente o carinho, o desejo deveria estar lá… e não está. O corpo não responde. A mente viaja. A vontade sumiu. E aí, o que fazer com esse silêncio ensurdecedor?
Calma. Respira. Vamos tirar o peso de culpa desse momento.
O que é a inapetência sexual?
Longe de ser um monstro de sete cabeças, a inapetência é apenas a falta persistente ou recorrente de desejo sexual. E, pasmem, ela é uma das queixas mais comuns nos consultórios – tanto de homens quanto de mulheres. Só que a gente teima em tratá-la como um pecado, uma falha de caráter ou, pior, como a prova de que o amor acabou.
Não é nada disso. O desejo é um prato delicado que depende de uma receita com vários ingredientes: hormônios em equilíbrio, mente descansada, conexão emocional e, acredite, um pouco de tédio e rotina também pesam na balança.
A tirania da “vida real”
Quantas de nós (e quantos de nós) chegam na cama após um dia de 12 horas de trabalho, pensando em contas, filhos, chefe chato e na lista de compras do supermercado, e ainda se cobram por ter que performar como uma deusa do sexo?
A inapetência muitas vezes é só o grito do corpo dizendo: “Eu estou exausto. Eu preciso de cuidado, não de performance.”
E agora, o que fazer?
Antes de entrar em pânico ou achar que o relacionamento acabou, que tal encarar isso com a leveza que a coluna pede?
1. Normalize: Você não está quebrado. Não é “frigidez” (aliás, essa palavra devia ser aposentada). É um sintoma, não uma sentença.
2. Converse: Sem cobranças. Em vez de um “você não me acha mais atraente?”, que tal um “eu sinto falta da nossa intimidade, mas estou sem energia. Vamos descobrir juntos o que está rolando?”.
3. Reveja a rotina: O desejo não floresce no estresse. Ele adora o ócio, o toque sem compromisso, o beijo de novela que não precisa terminar em sexo. Resgate as preliminares da vida, não só da cama.
4. Procure ajuda: Se a coisa persistir, um médico endocrinologista ou um terapeuta sexual são aliados, não juízes. Às vezes, a solução está num exame de sangue ou numa conversa sobre a dinâmica do casal.
O veredito
A inapetência sexual não é o fim do mundo. É, na verdade, um convite para reajustar a rota. É a chance de olhar para a sua própria vida e entender que o sexo, para ser bom, precisa de espaço, de cuidado e, principalmente, de permissão para existir nos dias bons e nos dias de tédio.
Na coluna de hoje, a SEM VERGONHA te dá um abraço e te lembra: às vezes, o ato mais íntimo que você pode ter com seu parceiro é deitar do lado dele, sem fazer nada, e dizer: “Estou aqui. E está tudo bem não estar com vontade agora.”
Porque respeito começa com a gente respeitando os nossos próprios ciclos.