Sabe aquela paixão que te tira o sono, mas que, curiosamente, nunca vai parar nos lençóis? Pois é. Vamos falar do queridinho dos poetas e o terror dos terapeutas de casal: o amor platônico.
Na coluna de hoje, Sem Vergonha, a gente tira o peso (e a culpa) desse sentimento. Porque, convenhamos, nem toda grande história de amor precisa de uma cena de sexo explícito para ser inesquecível.
O prazer está na falta?
Platão, o filósofo grego que deu nome à parada, não era exatamente um cara pra ir direto ao ponto. Pra ele, o amor era uma escada: você começa admirando um corpo bonito (sim, a gente gosta dessa parte), mas o ápice da coisa é contemplar a “Beleza Ideal”, o conceito puro. É quase como gostar de alguém pela essência, pela ideia que aquela pessoa representa.
E é aí que mora o nosso dilema moderno. A gente passa horas no celular alimentando a fantasia, criando roteiros na cabeça, imaginando diálogos perfeitos. E, olha, não tem nada de errado nisso. O cérebro é nosso maior órgão sexual, e a fantasia é uma zona de prazer legitimíssima.
O amor platônico é um treino
Mas vamos combinar: o amor platônico também é um ótimo teste de maturidade. Ele nos ensina a lidar com a frustração (porque aquela pessoa não vai te ligar agora, meu bem), nos ensina a desejar sem possuir e, principalmente, nos ensina que a gente pode amar alguém sem transformar essa pessoa num objeto de consumo sexual.
É aquele crush no professor, na amiga que é comprometida, ou no ator de série que nunca vai saber que você existe. É um amor seguro, onde a rejeição não existe porque a relação nunca foi testada na vida real. É a zona de conforto do coração.
O perigo da idealização
Claro, a coluna também tem que jogar a real: o perigo mora no exagero. Quando a idealização é tanta que nenhum ser humano de carne e osso consegue competir com a imagem que você criou, aí a coisa fica complicada. Se o seu crush platônico vira a régua para medir todos os seus encontros reais, talvez seja hora de dar um passo atrás.
O sexo, o beijo, o toque — essas coisas são maravilhosas porque são imperfeitas. Porque envolvem cheiro, gosto, aquele nervosismo genuíno de estar com outro corpo real. O amor platônico é bonito, mas é uma foto. O amor vivido é um filme inteiro, com cenas de tirar o fôlego e umas que a gente prefere pular.
A conclusão (sem vergonha)
Então, permita-se amar platonicamente. É gostoso, inspira arte, faz o coração bater mais forte. Mas não deixe que esse amor te impeça de viver o que é palpável.
Deixe o amor platônico te ensinar a sonhar, mas guarde um espacinho no seu dia (e na sua cama) para os amores reais, com todas as suas curvas, imperfeições e cheiros.
Porque, no fim das contas, o prazer mais gostoso é aquele que a gente sente com os pés no chão — ou, dependendo do dia, com os pés pro alto.