Quando o corpo pede pausa
28/10/2025

Há dores que não aparecem em raio-X. Cólicas que se instalam como se o corpo se revoltasse contra si mesmo, um peso no baixo ventre, uma irritação silenciosa que toma conta de tudo. O ciclo menstrual é, para muitas mulheres, um tempo de resistência. Resistir ao desconforto, ao cansaço, ao tabu — e ainda assim, sorrir e seguir produzindo.

Durante décadas, esse sofrimento foi tratado como frescura. “Toma um remédio e vai trabalhar”, diziam. Só que agora o tema começa a ser levado a sério. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que permite até dois dias de afastamento remunerado por mês para quem sofre com sintomas debilitantes durante o ciclo menstrual. O texto, relatado pela deputada Professora Marcivania (PCdoB-AP), segue para o Senado e inclui trabalhadoras com carteira assinada, estagiárias e domésticas.

Mais do que um benefício, é um gesto de reconhecimento. Um Estado que entende que o corpo feminino não é uma máquina regular, que tem ritmos, limites e marés internas. Que há dias em que o corpo pede pausa — e tudo bem.

Talvez essa nova regra na CLT seja o primeiro passo para que o país discuta, com maturidade e respeito, o que significa ser mulher em um mundo que ainda cobra produtividade mesmo quando a dor aperta. A licença menstrual chega, enfim, como uma permissão legal para o que a natureza sempre soube: o descanso também é parte do ciclo.

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Sem Vergonha
Sem Vergonha

Essa não é uma coluna pornográfica – longe disso. O casal João e Maria vai falar falar sobre sexo com respeito, leveza e sem rodeios, abordando os temas que fazem parte da vida de todas as pessoas, casais, homens e mulheres. Escreva pra nós: redacao@onorteonline.com