quarta-feira, 22 de julho de 2026
Poema-homenagem a Bule-BuleMiguezim de Princesa
06/01/2026
  • Miguezim de Princesa


Bule-Bule,
te falta um pé,
mas sobra chão
no caminho do teu canto.
A vida mordeu teu corpo,
mas não achou os dentes
da tua alegria
nem o nervo do teu verso.
Comeste quindim, cocada,
bebeste o doce perigo do mundo,
e ainda assim ficaste inteiro
onde importa:
na mente clara,
no coração em samba.
Tu trocaste pó por rapé,
máquina por gamela,
pressa por raiz.
Enquanto o mundo corre,
tu ensinas a pisar.
Erguestes um monumento invisível
feito de voz e memória,
para que os meninos do amanhã
não esqueçam
de onde vem o ritmo
nem para onde vai a alma.
Se um pé ficou no caminho,
o outro dança na eternidade do agora.
Teu verso anda por nós,
teu canto segue em pé.
Bule-Bule,
há homens que perdem partes.
E há poetas
que se tornam inteiros
para sempre.

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