Num canto elegante do antigo Carpe Diem, em Brasília, um conterrâneo do senador Ciro Nogueira resolveu bancar o coronel da abundância. Endireitou o peito, ajeitou o relógio reluzente e anunciou em voz alta:
— Hoje quem paga sou eu!
Queria impressionar o político, os garçons e talvez até os copos de cristal. Havia naquele gesto a velha necessidade de parecer mais rico do que a própria conta bancária permite. O homem era desses “amostrados” profissionais: mistura dinheiro verdadeiro com notas feitas de carteira de cigarro só para o bolo no bolso parecer mais avantajado.
O detalhe é que ele ignorava uma informação essencial: o senador já circulava na temporada dos luxos patrocinados, cercado pelos favores e cortesias ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Ou seja, a rodada oferecida pelo conterrâneo equivalia a levar um litrão para abastecer um navio petroleiro.
Mesmo assim, insistiu no teatro da opulência. Pagou a conta sorrindo, mas saiu contando moedas no estacionamento e rezando para o cartão não pedir segunda via da humilhação.
