sexta-feira, 5 de junho de 2026
O mundo doido das teorias da conspiração
05/06/2026

O mundo sempre teve seus doidos de estimação. Antigamente eles ficavam na praça, conversando com os pombos, prevendo o fim do mundo ou procurando discos voadores no céu de julho. Hoje protocolam petições.
Li a notícia e quase derrubei o café. Um advogado acionou o STF para investigar o Papa, Lula, Bolsonaro, Leonardo DiCaprio, artistas, jogadores, cantores e sabe-se lá mais quem por participação numa rede internacional de clones, manipulação genética e controle mental.
Pelo visto, a conspiração é democrática. Conseguiu unir gente que não se suporta nem para tirar fotografia. Lula e Bolsonaro, lado a lado, trabalhando para a mesma organização secreta. Se isso não é milagre, talvez seja clonagem mesmo.
No processo, há clones, robôs, artistas substituídos, pessoas grávidas que não deveriam estar grávidas e até a tese de que Marília Mendonça continua viva enquanto um clone teria ocupado seu lugar no acidente.
O curioso é que nenhuma teoria da conspiração admite a possibilidade mais simples: a de que o mundo já é suficientemente confuso sem precisar de clones comandados por uma seita interplanetária.
Vivemos uma época em que a fantasia ganhou status de documento. Há quem desconfie da ciência, dos fatos, das fotografias, dos exames e até da própria realidade. Em compensação, acredita piamente em vídeos mal editados, correntes de WhatsApp e revelações recebidas de algum profeta digital.
O STF certamente dará ao caso o destino que merece. Mas a história serve como retrato de um tempo estranho, em que a imaginação perdeu o freio e a razão anda correndo atrás, ofegante, tentando alcançá-la.
No fim das contas, talvez o maior mistério não seja a existência de clones. É entender como tanta gente consegue acreditar neles.

canal whatsapp banner

Compartilhe: