Quem não gosta de ler costuma ter medo de livro. Mas há exceções. Tem gente que não abre uma página para aprender, mas abre um volume falso para esconder dinheiro. A Polícia Federal encontrou cédulas guardadas onde deveriam morar palavras, ideias e alguma vergonha.
Era um livro sem autor, sem enredo e sem literatura. Apenas o velho romance nacional da esperteza: verba pública que sai pelo ralo, relógio de luxo que brilha no escuro e dinheiro vivo descansando entre capas ocas.
No Brasil, até a ignorância ganhou biblioteca. O sujeito não lê Machado, não lê Graciliano, não lê a Constituição. Mas sabe muito bem onde esconder o capítulo mais sujo da própria biografia.
Livro falso, dinheiro real. E o povo, esse sim, pagando a edição inteira.
