A promessa de um emagrecimento rápido e sem esforço transformou as chamadas “canetas emagrecedoras” no novo fenômeno estético do momento. Originalmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2, medicamentos à base de agonistas do GLP-1 (como a semaglutida) tornaram-se o atalho preferido de muitas pessoas em busca de resultados imediatos na balança.
No entanto, por trás da popularidade e das selfies de antes e depois, médicos e especialistas em saúde começam a acender um sinal de alerta para um efeito colateral preocupante que tem surgido com o uso indiscriminado dessas substâncias: a chamada agonorexia.
Embora o nome ainda não conste nos manuais oficiais de diagnóstico médico, o termo informal tem sido utilizado pela classe médica para descrever um quadro extremo de perda de apetite induzido por esses fármacos. Diferente da anorexia nervosa, que é um transtorno alimentar de origem psicológica e comportamental, a agonorexia é uma consequência direta da ação farmacológica da droga no organismo.
O que é a agonorexia?
A palavra é uma junção de “agonista de GLP-1” com “anorexia” (falta de apetite). Os medicamentos dessa classe atuam no cérebro retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a sensação de saciedade. Quando usados corretamente, sob prescrição e para pacientes com obesidade ou diabetes, eles ajudam a controlar a fome de maneira saudável.
O problema surge quando a substância é utilizada por pessoas que não têm indicação clínica, mas que desejam perder alguns quilos por razões estéticas. “Nesses casos, a dose pode ser inadequada ou o organismo pode reagir de forma mais intensa, levando a uma aversão total à comida. O paciente simplesmente para de sentir fome, o que pode evoluir para quadros de desnutrição, fraqueza extrema e deficiências vitamínicas graves”, explica [Nome do Especialista], médico endocrinologista.
A banalização do medicamento
O acesso facilitado a esses remédios, seja por meio de prescrições flexíveis ou até mesmo pela compra sem orientação adequada em farmácias e na internet, preocupa as autoridades de saúde. Muitas pessoas estão ignorando as contraindicações e os possíveis efeitos colaterais em nome de um padrão estético inalcançável.
“A busca pelo corpo perfeito não pode custar a saúde. Esses medicamentos são ferramentas poderosas, mas não são brinquedos. Quando usados sem critério, a pessoa pode até emagrecer, mas às custas de uma qualidade de vida péssima, sem energia e com riscos de problemas mais sérios a longo prazo”, alerta o especialista.
Quando a solução vira problema
A principal diferença entre o emagrecimento saudável e a agonorexia está na relação com a comida. Enquanto o tratamento correto visa educar o paladar e controlar a quantidade, a versão patológica faz com que o ato de comer se torne um suplício ou algo simplesmente esquecido.
Os sintomas mais comuns relatados por quem desenvolve o quadro incluem:
· Aversão a cheiros e texturas de alimentos;
· Esquecimento das refeições por ausência total do sinal de fome;
· Náuseas constantes ao tentar se alimentar;
· Perda de peso acelerada e acima do esperado para o período.
A importância do acompanhamento médico
Diante desse cenário, a orientação dos especialistas é clara: medicamento não é adereço estético. O uso de agonistas do GLP-1 deve ser rigorosamente monitorado, com ajustes de dose e acompanhamento nutricional paralelo.
“O emagrecimento precisa vir acompanhado de saúde. Se a pessoa está perdendo peso, mas não consegue mais se alimentar ou viver bem, o tiro sai pela culatra. É preciso ter critério e entender que cada corpo reage de uma forma”, finaliza o médico.
A moda das canetas emagrecedoras pode até garantir a silhueta desejada para o verão, mas o preço pago por quem as usa de forma irresponsável pode ser amargo demais para ser ignorado.