domingo, 29 de março de 2026
O homem e o sisal
28/03/2026

A cultura do sisal trouxe bonança para a região nordestina, onde predomina pouca precipitação de chuva, valorizando a terra, principalmente criando emprego e renda no campo. 

No auge da cultura, estradas foram abertas, cidades se formaram por entre os pendões de agave, com flores de intensa beleza.

Sobre este tempo, Gonzaga Rodrigues recordou que os olhos presenciavam numa extensão verde “espetando as vistas e os céus do brejo, onde baixios e serrotes cobertos pela trama pontilhada de um esverdeado sem fim, espinhento e transfixando o denso vapor da luz do verão até onde a vista desse”.

Há cem anos a Paraíba começou a olhar para o sisal como alternativa para suprir a cultura do algodão que cedia espaço, ocupando a mão de obra que os engenhos não mais suportavam. O sisal garantiu a instabilidade da economia paraibana por mais de meio século. 

Foi um período que desta cultura vestiu famílias e muita gente corria aos motores que rangiam como besouro como fonte de renda. No mundão esturricado à sombra de pé-de-pau existia uma desfibradora manual. Há cinquenta anos na Paraíba existiam 37 firmas exportadoras. Em algumas cidades, a exemplo de Serraria, indústrias enfardavam sisal que iam para Amsterdã, que nem sabiam onde ficava.

Esta planta surge como alternativa para ajudar no combate a um inseto que infesta os lares brasileiros. Mais uma vez o sisal pode ajudar a vencer a crise, mesmo que não seja econômica. 

Quando os núcleos de pesquisas saem para o campo, nascem esperanças de avanços na tentativa de ganhos na construção de uma vida com menos mãos calejadas, sem precisar das esmolas dos cofres públicos que retiram das escolas, da saúde pública, da segurança para chegar como de bolsas que não cobrem as necessidades básicas da dignidade humana. 

É do campo que brotam as experiências para acabar com as panelas vazias, porque da terra os homens retiram seu sustento. 

São tantas oportunidades que poderiam florescer na terra, mas o campo está deserto. Muitas pesquisas adormecem sem chegar às mãos do homem que não tendo mais chances de viver no Sul, recolhe-se às pontas de rua onde a panela continua vazia porque já não pode viver no campo. O homem ainda não desistiu do campo.

Cultura que predominou no Nordeste, chegou onde a água sumira, o sisal pode salvar o homem nordestino, assim como em décadas passadas salvou a economia que definhava. Se o mercado da fibra pouco existe, agora um novo nicho de mercado se abre a partir das pesquisas que a UFPB e a Embrapa realizaram. Conforme matéria publicada neste jornal no domingo passado, uma seiva retirada da agave ajuda no combate ao mosquito que tanto incomoda.  

Sempre acreditei no sisal como cultura que caminha ao lado das famílias agricultoras. Foi assim em passado recente quando a Paraíba ostentava lugar privilegiado na produção de fibra e de número de indústria de beneficiamento.

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José Nunes
José Nunes

José Nunes é jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras (APL).