João Pessoa, terça-feira, 29 de setembro de 2026
O cigarro eletrônico, a nicotina e as doenças cardiovasculares 
29/09/2026

* Por Sebastião Costa – Pneumologista

Difícil encontrar uma substância mais famosa do que a nicotina.

Muito natural, considerando que mesmo nos tempos atuais de muita conscientização em relação ao imenso potencial do tabagismo em produzir muitas doenças e mortes, ela e suas companheiras nocivas seguem intoxicando 1 bilhão e duzentos milhões de dependentes ao redor do mundo.

Informe-se que a nicotina é uma droga ansiolítica com uma grande capacidade de desenvolver dependência, e toda sua fama foi adquirida oferecendo um prazer fugaz experimentado por todo tabagista.

Acrescente-se, no entanto, que por trás desse bem-estar ela também produz imenso mal-estar no sistema cardiovascular de todos aqueles que não conseguem se desgarrar de suas garras atrativas:

– Aumenta a frequência cardíaca e produz vasoconstricção dificultando o fluxo sanguíneo.

– Favorece o acúmulo de placas (ateromatose) tornando as artérias mais rígidas.

– Estimula a formação de trombos no interior dos vasos sanguíneos.

– Danifica o endotélio vascular favorecendo processo inflamatório e a formação de coágulos.

Há de se convir, portanto, que todo cidadão que mantém o hábito de inalar diariamente a nicotina vai estar exposto a desenvolver hipertensão arterial, cardiopatia, trombose, acidente vascular cerebral(AVC), aneurisma, infarto do miocárdio…

Importante informar que estamos falando do cigarro convencional, cujo teor de nicotina não costuma ultrapassar 1mg/ml.

 Ocorre que no cigarro eletrônico a pegada é outra! Ali, naquele aerosdol aromatizado, até a terceira geração dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) a concentração de nicotina era até bem comportada: 4 mg/ml.

Com a chegada da quarta geração, essa concentração foi lá pra estratosfera: 50mg por cada ml inalado. Com um detalhe cruel: a mistura com o ácido benzoico dando origem ao sal de nicotina, que produz uma absorção mais rápida, elevando ainda mais o já imenso potencial viciante dessa droga psicoativa. 

Essa realidade acima descrita leva a uma indagação preocupante: se 1 mg de nicotina do cigarro convencional produz todas as patologias acima referidas, o que vai acontecer com o sistema cardiovascular desses jovens que andam inalando (muitos deles, compulsivamente) o aerossol aromatizado desses dispositivos com 50mg de nicotina?

A racionalidade manda avisar que no curto prazo, nosso sistema de saúde vai começar a conviver com muitos jovens desenvolvendo as doenças características do adulto: hipertensão arterial, cardiopatia, trombose, acidente vascular cerebral(AVC), aneurisma, infarto do miocárdio…

INEVITÁVEL!!!

Fica registrado um apelo aos pais desses jovens que andam curtindo o aroma e o sabor viciante do CE, para que eles participem ativamente no trabalho educativo de conscientização dessa garotada que vive a curtir o dia de hoje, sem a mais remota preocupação com o amanhã.

* Presidente do Comitê Anti-tabagismo da Associação Médica/PB. Membro da Comissão de Tabagismo da Associação Médica Brasileira

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