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É quase um clichê: a imagem da mulher que, após a menopausa, vê sua vida sexual entrar em um lento e irreversível declínio. Mas será que essa é a única história possível? Será que o fim do ciclo menstrual é o grande “vilão” do prazer, ou estamos olhando para a figura errada no quadro?
A verdade é que, para muitas mulheres, o sexo após a menopausa realmente pode não ser mais o mesmo. Sintomas como secura vaginal, dor durante a penetração e uma libido que parece ter feito as malas e sumido são queixas comuns e totalmente válidas. Acontece que a gente tem o costume de colocar a culpa de tudo no “fim da fertilidade”, quando, na realidade, o “culpado” é um conjunto de mudanças que acontecem no corpo todo.
No Dia da Menopausa, a coluna foi atrás de especialistas para desvendar esse quebra-cabeça. A ginecologista Paula Fettback nos explicou o cerne da questão: a queda natural dos hormônios, principalmente do estrogênio. É como se o comando central que mantinha a vagina lubrificada e elástica diminuísse o ritmo. O resultado? A famosa atrofia vaginal, que pode tornar as relações sexuais doloridas e, por tabela, fazer o desejo dar uma escapadinha.
Mas (e sempre existe um “mas” esperançoso!) enxergar isso como uma sentença sem apelação é o primeiro erro. A dor não é “frescura” e a falta de libido não é “falta de amor”. São sintomas, e como tal, podem e devem ser abordados.
A grande virada de chave é entender que o corpo mudou, e a forma como nos relacionamos com ele e com o prazer também precisa se adaptar. A vida sexual não acaba; ela se transforma.
E então, o que fazer?
A notícia mais importante é: você não precisa conviver com o desconforto. Existem soluções, desde lubrificantes e hidratantes vaginais (que são ótimos aliados de rotina) até terapias hormonais locais, que repõem pequenas doses de estrogênio diretamente na região, com alta segurança e eficácia. Conversar com seu/sua ginecologista é o passo fundamental para encontrar a estratégia certa para você.
E vai além dos hormônios. Muitas vezes, a menopausa chega junto com outras fases da vida: os filhos saindo de casa, os pais envelhecendo, a carreira em um momento de pressão. O cansaço e o estresse são assassinos da libido tão potentes quanto qualquer mudança hormonal. Cuidar da saúde mental, investir na conexão emocional com o parceiro ou parceira e, principalmente, redescobrir o próprio corpo são partes essenciais da equação.
O sexo satisfatório nessa fase pode ser diferente do que era aos 30 anos – e tudo bem! Pode dar mais espaço para as carícias, os massagens, a intimidade sem penetração e a exploração de novas formas de prazer. A pressão por um desempenho específico some, e abre-se espaço para uma intimidade mais conversada, mais tátil e, por que não, mais livre.
A menopausa não é o fim da linha. É um marco. E como todo marco, ele pode ser um ponto de partida para uma relação ainda mais consciente e gostosa com o seu próprio corpo e com o prazer.