Os mestres da escrita Gonzaga Rodrigues, Martinho Moreira Franco e Hildeberto Barbosa Filho, certa vez, deram opiniões sobre o destino que se reserva para o Pavilhão do Chá, este imponente coreto que foi palco de reuniões familiares e de tertúlias literárias na bela época a partir dos anos vinte na cidade Parahyba.
Escorado nas lembranças de momentos culturais que este lugar foi palco, principalmente entre as décadas setenta e noventa do século passado, expressarei meu pitaco sobre o Pavilhão do Chá, convencido da sua importância como lugar onde poderia fervilhar cultura.
Como olhar aquele coreto sem a presença de poetas, cantores, violeiros, emboladores, escritores, jornalistas, “imortais” da Academia. Afinal, na sua concepção destinou-se reunir as famílias em momentos de lazer, bem à moda dos cafés parisienses. Ali José Américo misturava-se ao leitor comum durante lançamento de livros.
Quem passa por ali não desvia o olhar daquele monumento localizado num recanto aprazível da cidade, perto dos três poderes, atraído pela beleza e impotência que lembram uma choupana oriental. Impossível não se pensar ali como um espaço destinado ao desfrute de uma boa conversa entre amigos girando em torno da cultura, da taça de vinha, um nadinha de cachaça, um chá, um chope. Tendo que levaria a espairecer numa manhã de sábado, num final de tarde, numa boca de noite.
Num país onde treze milhões são analfabetos, entupidos pela borra que escorre pelos fios invisíveis da internet, somente pode esperar que um lugar como o Pavilhão do Chá se transformasse num espaço de onde saíssem raios de cultura. O poder público é sempre convidado a abrir espaços para o alimento espiritual vindo da música, dos livros e das artes.
Se Gonzaga achou um pavilhão sem chá, Martinho quer um pavilhão com chope e Hildeberto quer um pavilhão de livros, eu sonho com tudo isso junto.
Na Capital da Paraíba a riqueza arquitetônica é uma fotografia na parede com retoques. Aquele monumento junto aos três poderes tem uma ligação telúrica com a cidade. Ao seu redor exalam aromas que poderão chegar a todos os recantos desta metrópole.
Como ressaltou o Poeta da Comarca das Pedras, faríamos do Pavilhão “uma geografia viva, um monumento plural, uma oferta memorável de símbolos e afetos”.
Naquele lugar, por exemplo, poderíamos contar com uma grande biblioteca ao ar livre, onde houvesse bugigangas que lembrassem a diversidade cultural, o livro distribuído à mancheia. Uma feira permanente de troca e venda de objetos da produção cultural e artesanal.