Definitivamente, começo a achar que há alguma coisa errada neste imenso e doloroso país chamado Brasil.
Pensei nisso, e pensei com certo ardor, quando fui usar o banheiro de uma certa escola pública – destas escolas que são um exemplo de asseio e de limpeza só porque os padres querem e fazem da coisa uma batalha pessoal.
Do lado de dentro do banheiro, à direita de quem entra, um cartaz em cartolina, destes criados por quem aprendeu a técnica da cartolina com caneta pilot na escola normal avisava: “Antes de sair, dê descarga e apague a luz”, que é coisa que remete à higiene e à economia – duas preocupações nacionais.
Aí fiquei pensando: e se eu quiser dar descarga e apagar a luz depois que sair? Mas, deixa pra lá. Acontece que quando eu entrei, a luz estava acesa e a privada suja. O cartaz, quase delicado e quase lírico em sua cartolina, servia apenas de galhofa.
Acredito sinceramente que ninguém precisa ir a esta escola a que fui para comprovar que avisos, anúncios e cartazes são apenas artifícios inúteis.
Não porque o país seja composto por uma horda de analfabetos de pai e mãe, mas porque o Brasil é formado e deformado, composto por um bando de analfabetos cívicos, que não sabem cantar o Hino Nacional, não sabem dar descarga em privada dos outros, nem sabem apagar a luz paga com dinheiro público.
Viram como a partir da maneira como um povo defeca é possível chegar à conclusão de que critérios ele usa para escolher seu presidente? Não que eu queira dizer que sejam, palácio e privada, coisa de alguma forma semelhantes. Não é isso.
Porque um povo que ignora os avisos, os sinais e os comunicados, invariavelmente deixa o banheiro sujo. Não apenas isto, como também provoca acidentes mais graves.
