A nomeação da ex-jogadora Formiga para um cargo de direção no Ministério do Esporte, diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino, é uma boa notícia.
Ela traz uma vasta experiência dentro de campo no Brasil e no exterior, onde atuou por décadas e viveu as transformações estruturais do feminino.
Esse caminho lhe permite compreender, com profundidade, as necessidades reais do futebol feminino e os gargalos existentes na formação, no alto rendimento e na gestão.
Formiga começou em um período em que o futebol feminino ainda era tratado como um setor emergente e de baixo investimento, no qual as equipes femininas eram vistas como despesa para clubes e federações. Com o tempo, testemunhou e protagonizou a transição para um cenário mais profissionalizado, no qual passaram a gerar retorno institucional, esportivo e financeiro.
Hoje, as atletas são encaradas como ativos que podem produzir receitas por meio de premiações, bilheterias, patrocínios e até transferências internacionais com pagamento de valores entre clubes. Ou seja, ao menos para os grandes times, elas são vistas como fontes de receitas e não mais como uma despesa.
Sua chegada a um posto de formulação de políticas públicas ocorre em um momento estratégico, próximo à Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, quando o governo federal busca alinhar desenvolvimento esportivo, promoção de igualdade de gênero e exploração econômica sustentável do futebol feminino.
Nesse contexto, a presença de uma ex-atleta com credibilidade e visão global pode contribuir para políticas concretas que consolidem essa nova fase e ampliem a competitividade da modalidade no país.