Deu no jornal O DIA, do Rio de Janeiro.
O caso que movimentou Salvador neste sábado (6) tem ingredientes de novela policial, mas também levanta uma pergunta que não pode ficar sem resposta. O jornalista Jamerson Oliveira, diretor do programa “Alô Juca” e coordenador de conteúdo da TV Aratu (SBT), foi preso ao sair de um motel acompanhado da repórter Lara Linhares, que é casada. A abordagem da RONDESP terminou com confusão, e o episódio virou pauta até na TV, quando o comunicador Bocão comentou ao vivo: “Jornalista pego saindo do motel com jornalista casada!”.
Vamos aos fatos: ser casado e se envolver com outra pessoa pode trazer problemas dentro de casa, no casamento, na família, no trabalho e até no campo moral, mas não é crime. Relações extraconjugais não estão tipificadas no Código Penal brasileiro. Adultos consentindo em uma relação íntima não podem ser presos simplesmente por isso. O que gera prisão é desacato, resistência à abordagem, drogas, violência, e por aí vai. Fora isso, a vida sexual de dois adultos não pertence ao Estado.
Sexo no trabalho e fora dele
Agora, a parte que interessa à nossa coluna: a vida pessoal misturada com a vida profissional. Relações extraconjugais são antigas conhecidas do ambiente de trabalho. Quantas histórias de “caso secreto no escritório” você já ouviu? Não é diferente no jornalismo, no direito, na medicina, em qualquer lugar. Quando dois colegas de profissão engatam um romance, consensual e adulto, o problema passa a ser menos jurídico e mais social — envolve fofoca, ciúme, julgamento moral e, no caso de gente pública, exposição midiática.
Na prática, o adultério saiu do Código Penal em 2005. O que sobra é a moralidade social e os códigos internos das empresas, que podem reagir a esse tipo de situação por motivos de imagem. Mas a pergunta segue: quem pode julgar a vida sexual de adultos? O Estado, definitivamente, não.