A CBF erra ao marcar para 3 de outubro, às 16h30, a final do Campeonato Brasileiro Feminino entre São Paulo e Corinthians. No mesmo sábado, às 11h, a Seleção Brasileira masculina enfrentará a Índia, em Calcutá, pela Data Fifa.
O problema dos dois jogos no mesmo dia é que a CBF escolheu realizar a principal partida de sua mais importante competição feminina no exato período que, no futebol masculino, trata como uma pausa internacional.
A Data Fifa não deveria ser compreendida apenas como proteção aos convocados. Ela também representa uma lógica de calendário: a interrupção dos campeonatos nacionais para que a atenção, a estrutura e a programação do futebol se concentrem nas seleções. Quando a CBF abre exceção para a final feminina, enfraquece essa lógica e cria uma diferença de tratamento impossível de ignorar.
A contradição se torna ainda maior porque o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina de 2027. Se a CBF entende que a Série A feminina pode decidir seu título durante uma Data Fifa, dividindo as atenções da mídia e dos torcedores, terá de explicar por qual razão, no ano do Mundial, os campeonatos masculinos brasileiros precisarão ser suspensos, adaptados ou submetidos a restrições em razão da competição internacional.
A resposta não pode ser simplesmente a dimensão do evento. A Copa do Mundo Feminina será, sim, um acontecimento enorme, com exigências próprias de estádios, segurança, logística e transmissão. Mas o ponto é justamente esse: a CBF não pode exigir de todos um respeito integral ao calendário quando a competição a ser prestigiada é feminina e, antes disso, relativizar a própria importância da decisão nacional feminina diante de um amistoso masculino.
São Paulo x Corinthians, seja no masculino, seja no feminino, tem peso esportivo, histórico e simbólico. É uma final do campeonato nacional, de primeira divisão, e merece estar no centro das atenções na sua data, não podendo ser tratada como mero conteúdo complementar de uma janela internacional, para cobrir uma janela na grade de programação de televisão. O futebol feminino não pede privilégio. Pede coerência.