O controle de qualidade na indústria farmacêutica, responsável por garantir que medicamentos sejam seguros e eficazes, está passando por uma grande transformação tecnológica, já que técnicas tradicionais vêm sendo complementadas por métodos modernos que permitem avaliações rápidas e não destrutivas diretamente na linha de produção, acelerando o lançamento de medicamentos no mercado.
O levantamento do segmento global de espectroscopia Raman, uma das principais tecnologias usadas para análises não destrutivas, indica que em 2025, cerca de 26% das empresas farmacêuticas já empregaram novas técnicas, que auxiliam na verificação de matérias-primas, formulações, identificação de composição, uniformidade e possíveis desvios de qualidade em tempo real. Para Eduardo Bravim, especialista em biotecnologia farmacêutica, instrumentação analítica, controle de qualidade e supply chain científico com atuação internacional, a adoção desses métodos representa uma mudança estrutural na indústria. “Quando conseguimos analisar um medicamento sem destruí-lo e ainda obter resultados quase instantâneos, ganhamos tempo, reduzimos perdas e aumentamos a confiabilidade de toda a cadeia produtiva”, explica.
Além da velocidade, os métodos não destrutivos permitem maior padronização global, algo essencial em cadeias de suprimento cada vez mais complexas e internacionalizadas. Segundo Bravim, essa evolução tem impacto direto na logística e no abastecimento de medicamentos, ao reduzir gargalos e aumentar a resiliência, já que, atrasos na liberação de lotes podem comprometer o fornecimento em diferentes países.
Outro avanço relevante é a integração dessas técnicas com inteligência artificial e análise avançada de dados, capazes de interpretar grandes volumes de informações e antecipar falhas antes mesmo que elas ocorram. “A combinação entre métodos não destrutivos e inteligência artificial muda completamente o jogo. Passamos a prever problemas em vez de apenas reagir a eles. Isso traz ganhos claros em eficiência, sustentabilidade e, principalmente, segurança para o paciente”, afirma Bravim.
Para o consumidor, o impacto é direto, resultando em medicamentos mais consistentes, com menor variabilidade entre lotes e maior garantia de qualidade. Já para a indústria, trata-se de um avanço que une inovação tecnológica, conformidade regulatória e competitividade. “O controle de qualidade farmacêutica está entrando definitivamente em uma nova era: mais rápida, mais inteligente e muito mais conectada à realidade da produção moderna”, conclui Eduardo Bravim.