O mundo dá voltas. E, às vezes, essas voltas passam pelo Beco do Priquito.
Durante anos, o lugar existiu sem existir para os mapas, para os carteiros e para os burocratas de plantão. Quem quisesse mandar uma carta tinha de recorrer à velha ciência popular: “é ali, depois da venda, dobra à direita, pergunta a Seu Chico e segue o cachorro amarelo”.
Agora não. O Beco do Priquito entrou para a modernidade. Tem CEP. Tem endereço oficial. Tem cidadania postal.
A partir de hoje, uma encomenda pode sair de Tóquio, Paris ou Nova York trazendo, em letras respeitáveis e carimbadas pelos Correios, o destino mais improvável do planeta: Beco do Priquito, Campina Grande, Paraíba, Brasil.
Imagine a cara do funcionário postal na Finlândia lendo aquilo. Ou do entregador alemão tentando pronunciar “priquito” sem pedir ajuda ao Google.
O que antes era apenas um nome conhecido pelos moradores da região agora ganha passaporte internacional. O priquito, figura ilustre da geografia afetiva nordestina, vai viajar o mundo estampado em cartas, contas de luz, boletos, presentes de aniversário e compras pela internet.
É a globalização chegando pelos caminhos mais curiosos.
Enquanto muitos lugares lutam para aparecer no mapa, o Beco do Priquito resolveu aparecer no envelope.
E convenhamos: poucos endereços do planeta conseguem ser tão memoráveis. Porque rua tem muitas. Avenida também. Mas Beco do Priquito com CEP próprio é privilégio para poucos.
O progresso, afinal, também sabe rir. E desta vez chegou pelo correio.
