Hoje, no dia da mulher, faço uma homenagem a todas as mulheres, em nome de minha mãe, Dona Geni Pinto de Souza, uma Santa em minha vida. Geni era uma pessoa diferenciada: mansa, gentil e abusada, quando provocada. Não deixava pergunta sem resposta.
Me lembro que morava e trabalhava em Brasília e era repórter do Correio Braziliense. Um dia me mandaram fazer a cobertura de uma exposição de heraldica que estava acontecendo no Salão Verde da Câmara dos Deputados.
Fui lá e vi a história das famílias Pinto e Carvalho, que contava a seguinte narrativa: nós descendiamos de um povo nobre, amigos de Reis e poderosos. Eu comprei os dois brasões e mandei para ela.
Os brasões diziam que os Pinto eram uma família de gente ligada à agricultura e os Carvalho tinham ficado ricos vendendo cavalos do Oriente para a Península Ibérica.
Tempos depois, visitando Portugal, fui à Torre de Tombo, e comprei mais dois brasões. O da família Pinto estava certo. Mas o da família Carvalho tinha um detalhe.
Os portugueses são muito ciosos com a língua. De forma que uma palavra no Brasil pode ter um significado e em Portugal outro. “Traficante”, por exemplo, para nós é o sujeito que trafica drogas, armas e por aí vai.
Dona Geni recebeu os brasões e uma carta que lhe enviaram. Na carta eu dizia: “Dona Geni, esqueça aquele brasão que mandei para a senhora, dizendo que éramos descendente de gente nobre. O que nós somos mesmo é ladrões de cavalo”, disse.
Tempos depois, recebi uma carta sua, ditada a Coca de Ozana: “Meu filho, me desculpe dizer a verdade: mas, se tiver ladrão de cavalo na nossa família é você e seu pai – cujo sangue está misturado. Eu sou dos Pinto, um povo que chegou aqui nas caravelas”, escreveu.
Agora me diga: uma pessoa que age assim é ou não é uma grande mulher?
Estamos todos bem Dona Geni…
