Teve uma época em que suspirar por alguém inalcançável era quase um esporte nacional. O amor platônico tinha endereço certo: o colega da sala que nem sabia seu nome, a atriz da novela das seis, o amigo que só te via como “brother”. Hoje, com todo mundo a um like de distância, será que ainda existe espaço para essa paixão à distância segura?
Confesso que, de primeira, achei que o amor platônico tinha virado peça de museu. Com Tinder, Instagram e stories, a fantasia perde espaço para o “oi, sumido” em 15 segundos. Se você quer alguém, curte, comenta, chama no direct. O mistério que alimentava aquela idealização virou algo meio fora do padrão.
Mas… e se o platônico só tiver mudado de endereço?
Hoje ele pode ser o crush do outro lado da tela que você nunca vai encontrar — aquele tiktoker que parece ter saído de um sonho, a pessoa de uma foto aleatória no feed, o perfil que te deixa com o coração quentinho sem nenhuma troca real. Também rola platônico em situações reais: aquela paixonite pelo profissional que te atendeu com simpatia e você nunca mais viu, ou pela pessoa que já tem compromisso e você, sabiamente, decide guardar na gaveta dos “e se…”.
O amor platônico nunca foi sobre posse, né? Sempre foi sobre a delícia de sentir algo sem cobrança, sem burocracia, sem vergonha de ser um pouquinho bobo. Sobre ter um cantinho na mente só seu, onde a realidade não estraga o encanto.
Então, saiu de moda? Acho que não. A gente só ficou com vergonha de admitir. Num mundo que exige atitude o tempo todo, talvez seja revolucionário manter um amorzinho platônico — inofensivo, afetuoso e discreto. Como um doce guardado na gaveta: você não precisa comer agora, mas sabe que o gostinho de ter faz bem.