terça-feira, 21 de julho de 2026
Ainda há espaço para serenata em Brasília
12/03/2026

No final da Asa Sul, em Brasília, onde tudo parece tenso e árido nos tempos atuais, presenciei hoje, no início da noite, uma cena que parecia saída de outro tempo. Um violinista, parado na calçada, fazia uma serenata para uma amada debruçada na janela, como se a cidade ainda guardasse um pedaço secreto de romantismo que se recusa a morrer.
Não quis interromper o artista para saber se era ele próprio quem fazia a declaração de amor ou se havia sido contratado para a missão. Em Brasília, onde até os sentimentos às vezes parecem burocráticos, aquela música soava como um pequeno ato de rebeldia contra a pressa, contra o concreto, contra a dureza dos dias.
Algumas pessoas abriram as janelas, curiosas, como se também quisessem lembrar que já existiu um tempo em que o amor se dizia com música ao vivo, e não com mensagens apressadas no celular. Mas dava para perceber claramente a quem era destinada a serenata. No segundo andar, numa janela iluminada, uma moça de blusa branca escutava imóvel, entregando-se àquele momento com suspiros que denunciavam o endereço certo da canção.
O violino insistia, teimoso, como quem sabe que certas coisas não podem desaparecer. Brasília pode ter avenidas largas, prédios frios e gente sempre com pressa, mas ainda há quem pare na calçada para tocar para alguém.
E enquanto houver um violino tocando para uma janela acesa, haverá esperança de que o mundo não ficou totalmente sem poesia.
Porque a serenata, mais do que uma música, é a prova de que o coração humano ainda resiste — até mesmo no meio do concreto armado da Asa Sul.

Screenshot

canal whatsapp banner

Compartilhe: