Toda semana chega na minha caixa de mensagens a mesma pergunta, com a mesma angústia disfarçada de curiosidade: “Quantas vezes por semana um casal normal transa?”.
E eu sempre respondo com outra pergunta: “O que é um casal normal?”.
Porque se tem uma coisa que o porno, o senso comum e até algumas pesquisas de instituto duvidoso fizeram foi transformar o sexo em uma planilha de Excel. Transou três vezes na semana? Tá dentro da média. Transou uma? Será que o relacionamento esfriou? Transou sete? Gente, calma, vocês precisam comer.
Mas vamos combinar: tratar intimidade como meta de batida diária é o maior veneno que a gente pode injetar na nossa vida a dois.
A verdade é que a frequência ideal não existe. Ela é mutante, sazonal e, acima de tudo, particular. Tem fases em que o tesão parece um incêndio florestal e tem fases — especialmente com filhos, contas para pagar e aquele cansaço que mora nos ossos — em que o sexo é quase um item extra na lista de tarefas. E tudo bem.
O que importa, de verdade, não é o número. É a conexão.
Uma transa por semana com presença, desejo e olho no olho vale mais que três transas mecânicas feitas só pra “manter a média”. E, ao contrário do que pregam, qualidade não é performance. É entrega.
O problema começa quando a gente para de se perguntar “O que eu quero?” e começa a se perguntar “O que é esperado de mim?”. Spoiler: esse é o caminho mais curto para o sexo virar obrigação, e obrigação é o fim da picada para o desejo.
Então, se você está preocupado com a frequência, sugiro trocar a pergunta:
— A gente está se tocando, se olhando e se desejando do jeito que cabe na nossa rotina agora?
Se a resposta for sim, foda-se a tabela. Se for não, a conversa não é sobre aumentar o número, é sobre resgatar a intimidade. Às vezes, uma massagem sem compromisso, um beijo mais longo ou até uma noite de silêncio e abraço na cama valem mais que um “vamos resolver isso” apressado.
E aqui vai o segredo que nenhuma pesquisa conta: a frequência ideal é aquela que deixa os dois satisfeitos. Pode ser todo dia. Pode ser uma vez por mês. O combinado não sai caro, e o desejo não se mede com cronômetro.
Agora me diz: você já se cobrou por transar “pouco” ou “demais”? Vamos matar essa neurose juntos nos comentários.