sábado, 21 de fevereiro de 2026
Acontece que Paquetá era para ser o protagonista, mas virou um mero coadjuvante no Flamengo
20/02/2026

O Rubro-Negro de 2026 é um time misterioso. Tem elenco, tem investimento, tem torcida, mas simplesmente não funciona 

O Flamengo fez um Pix de R$ 260 milhões para contratar um protagonista e, até agora, recebeu um coadjuvante. A aposta em Paquetá era para elevar o patamar técnico do time, dar comando, intensidade e personalidade ao meio-campo. O que se viu nesta 5ª feira contra o Lanús foi um jogador apagado, sem influência real no jogo, mais um corpo em campo em um time que parece ter perdido o rumo.

A derrota no primeiro jogo da final da  Recopa Sul-Americana expôs um Flamengo lento, previsível e sem alma. Jogou mal. Muito mal. Não criou, não pressionou, não impôs ritmo. Ainda assim, o confronto está longe de estar decidido. No Maracanã lotado, basta uma vitória por um gol para levar a decisão aos pênaltis. O Flamengo segue favorito, mais pela camisa e pelo ambiente do que pelo futebol que vem apresentando.

O problema é mais profundo e não começou em Lanús. O que aconteceu com o Flamengo da virada do ano para cá? Aquele time que ganhou tudo no fim da temporada passada, foi à final do Intercontinental e jogou de igual para igual contra o PSG simplesmente se desorganizou. Não em nomes, mas em funcionamento. A estrutura tática se perdeu, a intensidade desapareceu e a confiança foi junto.

O principal termômetro desse declínio atende pelo nome de Arrascaeta. Em 2025, foi o motor do time. Em 2026, parece caminhar em campo. Alguma coisa aconteceu – seja física, seja de preparação, seja de desgaste – e o Flamengo sente diretamente essa queda de rendimento. Sem Arrascaeta em alto nível, o time perde criatividade, perde ritmo e vira previsível.

Aí trouxeram Paquetá…

Paquetá chegou justamente para ocupar esse espaço de liderança técnica. Era para ser o jogador que puxaria o time para cima quando o uruguaio não estivesse no auge. Até agora, não aconteceu. A comparação é dura, mas inevitável: a versão atual de Paquetá entrega menos até do que a versão apagada de Arrascaeta. E isso diz muito sobre o vazio criativo do Flamengo neste início de temporada.

Na frente, o enigma Pedro segue sem solução. O Flamengo vive à procura de um camisa 9 no mercado, flertou com Kaio Jorge, observa nomes no exterior, enquanto tem em casa um centroavante de alto nível que parece fora de forma, fora de ritmo e fora de sintonia com o time. Não é falta de talento. É falta de ajuste, de trabalho, de recuperação do jogador para que volte a ser o matador que já foi.

O Flamengo de 2026 é um time misterioso. Tem elenco, tem investimento, tem torcida, mas não tem funcionamento. Pode, sim, reverter a Recopa no Maracanã, porque camisa pesa e o estádio empurra. Mas se não entender rapidamente o que se perdeu da virada do ano para cá, corre o risco de transformar uma temporada que prometia grandeza em um ano inteiro de frustração.

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