A política brasileira chegou a um estágio em que até um chapéu virou prova de conspiração. Numa manifestação bolsonarista em São Paulo, um cidadão desenvolveu a revolucionária “teoria dos chapéus” para demonstrar que o presidente Lula seria substituído por um sósia.
A prova? O chapéu.
Dependendo do modelo, do tamanho, da posição na cabeça ou sabe-se lá de quê, estaríamos diante de outro Lula. Sherlock Holmes perderia o emprego.
A psicologia chama isso de dissonância cognitiva: quando o fato incomoda a crença, arruma-se um jeito de adaptar o fato. Se Lula aparece, não é Lula. Se fala, é o sósia. Se tira o chapéu, talvez seja outro sósia.
Desse jeito, o Brasil já não precisa de oposição. Precisa de uma chapelaria e de um perito em bonés.

