João Pessoa, domingo, 13 de setembro de 2026
O peido parlamentar
13/09/2026

A política brasileira já produziu discursos inflamados, bate-bocas históricos, tapas, empurrões e até cadeiras voando. Mas coube à Câmara Municipal de Bayeux, na Paraíba, oferecer sua contribuição definitiva à democracia: o peido parlamentar.

A sessão extraordinária discutia créditos adicionais e o retorno de uma vereadora ao mandato. Assuntos sérios, daqueles que costumam produzir muito discurso e pouco oxigênio. Até que alguém resolveu substituir a retórica por uma arma química: um spray de peido.

Foi tiro e queda — ou melhor, borrifada e fuga. O plenário, que já estava com os ânimos fedendo, passou a feder literalmente. Vereadores discutiam, a sessão era suspensa, a polícia intervinha e o misterioso gás cumpria sua missão democrática: atingir situação e oposição sem qualquer discriminação partidária.

Há nisso uma importante lição republicana. O spray não perguntou quem era de direita, de esquerda ou do centrão. Não consultou bancada, partido nem coligação. Espalhou-se soberano pelo ambiente e tratou todos com absoluta igualdade.

Em Brasília, fala-se muito em reforma política. Bayeux inovou: promoveu a reforma intestinal.

E assim terminou mais uma memorável sessão legislativa brasileira. Uns queriam aprovar créditos, outros queriam discutir mandato, mas quem acabou dando a palavra final foi o peido.

Na Câmara de Bayeux, naquele dia, ninguém teve maioria.

Só o mau cheiro.

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