Toda eleição termina igual: metade do país comemorando como se tivesse ganhado na mega-sena, a outra metade em luto de perder parente próximo. E no meio disso tudo, tem um casal que precisa dividir o mesmo sofá, a mesma cama e — pasme — o mesmo edredom. A pergunta que não quer calar (e que rende boas conversas pós-urna): afinal, a ressaca eleitoral tirou ou aumentou o tesão desse povo?
A resposta honesta é: depende do casal. Mas dá pra traçar alguns perfis bem reconhecíveis.
Casal “lado a lado”: o tesão em alta
Tem casais que votaram igual, acompanharam a apuração de mãos dadas e, quando o resultado saiu, comemoraram do jeito que a gente gosta. Nesse caso, a eleição funcionou quase como um afrodisíaco coletivo. A descarga de adrenalina da vitória, a sensação de “nós contra o mundo”, o alívio depois de semanas de tensão — tudo isso vira energia que precisa ir pra algum lugar. E convenhamos, a cama é um ótimo destino.
Tem também o casal que não votou igual, mas que conseguiu rir da diferença. Aquele que fez piada com o resultado, que apostou jantar fora e que entendeu que divergência política não é divórcio. Esse casal, muitas vezes, sai da eleição com o tesão renovado — porque superou junto uma provação.
Casal “trincheira”: o tesão em baixa
Agora, o outro lado. Tem casal que passou a semana da eleição trocando indiretas, print de grupo de família e silêncio sepulcral na hora do jantar. Aquele clima de “não falo com você até você admitir que…” é o maior anticoncepcional que existe. Não tem libido que sobreviva a uma discussão sobre fake news às 23h.
E tem o casal que nem discutiu, mas também não se falou. Cada um no seu celular, cada um no seu grupo de WhatsApp, cada um na sua bolha. A eleição criou uma parede invisível no meio da cama. E parede invisível, na prática, é a mais difícil de derrubar.
E tem o casal “anestesiado”
Aquele que passou tanto tempo discutindo política que esqueceu de discutir outras coisas — inclusive de se desejar. A eleição consumiu toda a energia mental do casal, e o tesão virou a última prioridade da lista, atrás de “ver o resultado”, “discutir o resultado” e “reclamar do resultado”. O desejo não sumiu, mas ficou em modo econômico, esperando a poeira baixar.
O que a Sem Vergonha acha disso tudo?
Que a eleição é só um termômetro, não a causa. Casais que já tinham dificuldade de conversar sobre diferenças vão sentir a eleição como um terremoto. Casais que sabem dialogar, que sabem rir de si mesmos e que entendem que o outro não é o inimigo, passam por ela — e às vezes até saem mais próximos.
Se a ressaca eleitoral baixou o seu tesão, vale a pergunta: foi a eleição ou foi a forma como vocês lidaram com ela? E se aumentou, aproveite — porque tesão em alta é sempre boa notícia.
O importante é lembrar: política é assunto sério, mas cama não é palanque. Uma coisa pode até influenciar a outra, mas o respeito — e o desejo — precisam sobreviver a qualquer resultado.
E aí, qual foi o seu caso? A Sem Vergonha quer saber. Com leveza, claro.
