A pílula mágica e o risco de virar refém dela
06/08/2025

Tem muito marmanjo por aí confundindo potência com dependência. O que era para ser um remédio para disfunção erétil virou, para muitos, uma espécie de amuleto do desempenho — tomado até por quem nunca teve disfunção alguma. É a famosa pílula azul (ou amarela, dependendo do laboratório), colocada no bolso da calça como se fosse garantia de virilidade. Só que não é.

A corrida desenfreada atrás de medicamentos como a sildenafila e a tadalafila tem deixado os especialistas de cabelo em pé. De acordo com o urologista Charles Rosenblatt, do Hospital Albert Einstein e da Rede D’Or, o uso sem orientação médica pode trazer consequências sérias — do coração à cabeça, passando, claro, pelo próprio órgão que se pretende “melhorar”.

“Esses remédios não são balinha de festa”, alerta o médico. Dor de cabeça, tontura, problemas na visão, queda de pressão, priapismo (uma ereção que não vai embora e pode causar dano permanente) e até risco cardíaco fazem parte do pacote de efeitos colaterais. E tem mais: misturar com álcool ou outros medicamentos, especialmente os que contêm nitrato, pode ser uma verdadeira bomba-relógio.

Mas o problema não é só físico. O emocional também entra em campo — e, nesse caso, muitas vezes perde de goleada. A dependência psicológica é real. O cara começa tomando “só pra garantir”, e quando percebe, já não consegue mais transar sem o comprimido. A ansiedade aumenta, a autoconfiança some, e a cabeça passa a acreditar que o corpo não dá conta sozinho. Um ciclo vicioso que tem mais a ver com insegurança do que com impotência.

A verdade é que o pau pode até subir, mas a autoestima vai lá pra baixo.

Segundo Rosenblatt, esses medicamentos, quando bem indicados, são uma bênção. Mas, para funcionar de verdade — e com segurança — é preciso passar por avaliação médica, entender se há outras causas por trás da disfunção (ou da insegurança), e, principalmente, parar de achar que performance sexual tem que ser coisa de super-herói pornô.

Ninguém precisa performar. Precisa é se conhecer, se cuidar, e deixar a vergonha de lado pra buscar ajuda quando necessário.

No mais, fica a dica: se for tomar, que seja com responsabilidade. E não por pressão — nem interna, nem externa.

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Sem Vergonha
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Essa não é uma coluna pornográfica – longe disso. O casal João e Maria vai falar falar sobre sexo com respeito, leveza e sem rodeios, abordando os temas que fazem parte da vida de todas as pessoas, casais, homens e mulheres. Escreva pra nós: redacao@onorteonline.com